8 de set de 2009

The Very Best Of Camissa de Vênus by Lágrima Psicodélica

Concluímos mais uma importante enquete galera!!!

Importante, por ser o Camisa de Vênus uma das bandas de todos os tempos, que mais exala por todos os seus poros a essência do "Rock and Roll".

Conforme prometido, estamos compartilhando mais um exclusivo é inédito:
The Very Best of Camisa de Vênus by Lágrima Psicodélica.

Imagem de Miguel Cordeiro Arquivos


Relação das Músicas mais votadas:

01. Meu Primo Zé - Controle Total - 22
02. Só o Fim - Correndo Risco - 21
03. Deus, me dê Grana - Correndo o Risco - 21
04. Gothan City - Batalhões de Estranhos - 19
05. Simca Chambord - Correndo Risco - 17
06. Hoje Batalhões de Estranhos - 17
07. Eu Não Matei Joana D'arc - Batalhões de Estranhos - 17
08. Bete Morreu - Camisa de Vênus - 17
09. Á Ferro e Fogo - Correndo o Risco - 15
10. Muita Estrela, Pouca Constelação - Duplo Sentido - 14
11. Correndo sem Parar - Camisa de Vênus - 14
12. O Adventista - Camisa de Vênus - 13
13. Dogmas Tecnofascistas - Camisa de Vênus - 13
14. My Way - Viva! - 13
15. Aluga-se - Duplo Sentido - 13
16. Rostos e Aeroportos - Batalhões de Estranhos - 12
17. Canalha - Duplo Sentido - 12
18. Controle Total - Controle Total - 12
19. Metástase - Camisa de Vênus - 11
20. Negue - Camisa de Vênus - 11

3 músicas empataram com 11 pontos na décima nova colocação (19) - (Metástase, Negue e Homem Forte). A primeira música que recebeu voto das 3 foi "Metástase" e ficou com a essa colocação (19). A segunda música votada, das 3, foi "Negue" e ficou na vigésima colocação (20).

Lembramos ainda que, terminamos essa enquete às 23:59 Hs do dia 04.01.09. Logo, os votos depois desse dia não foram computados.

Texto do brother Miguel Cordeiro sobre as músicas mais votadas!!!

Fala brother Johnny

São mais de 2 e meia da manhã e terminei agora o texto sobre as músicas mais votadas do Camisa.

Segue abaixo,
Grande abraço
Miguel

01. Meu Primo Zé

Talvez a primeira canção do Camisa que eu escutei ainda numa fita cassete na casa de Marcelo Nova no início de 1981. Caramba! - pensei, é isto que a cena musical está precisando, uma banda de rock´n´roll sem frescuras e sem papas na língua e que fale diretamente às pessoas coisas que não estavam sendo ditas. E, claro, todos nós tínhamos um primo chamado Zé, sempre mais esperto que a gente.

02. Só o Fim

Clássico instantâneo do rock nacional. Uma balada maravilhosa com um clima sonoro que envolve o ouvinte e embora a letra aparentemente soe amarga, na verdade é uma lição de perseverança. O tempo passa e ela fica sempre atual.

03. Deus, Me Dê Grana

Esta foi composta numa fase difícil da banda que àquela época morava no Rio de Janeiro em uma quitinete da Barata Ribeiro, Copacabana. Naquele cubículo habitavam umas dez pessoas e faltava tudo, daí o apelo ao divino por grana que, ao contrário do que prega a religião católica, traz felicidade, sim.

04. Gotham City

Adaptação de uma música de Jards Macalé e Capinam, defendida pelo primeiro num daqueles lendários festivais da canção dos anos 60. Marcelo incluiu novas estrofes e a Gotham City do Camisa tornou-se o relato de uma geração que cresceu durante a ditadura instalada no Brasil a partir de 1964.

05. Simca Chambord

Bem, a letra de Simca Chambord foi escrita por Marcelo e por mim enquanto aguardávamos o jantar num restaurante chinês em Salvador. O referido carro era uma fixação nossa e o utilizamos para falar da desilusão dos nossos sonhos e da barra pesada dos anos de chumbo do regime militar, quando “eles” acabaram com quase tudo, inclusive com o Simca Chambord.

06. Hoje

Hoje fala de computadores e homens codificados e todas estas loucuras da vida contemporânea. A inadaptação aos códigos sociais, o escapismo sonhado através de uma viagem à “Amsterdam via Paris”. Ano passado, andando pelas ruas de São Paulo, vi um cara usando uma camiseta com a imagem da bandeira do Brasil estampada no peito, e no lugar do Ordem e Progresso, lia-se Acho Que Fui Enganado que nada mais é que o refrão desta música.

07. Eu Não Matei Joana D'Arc

Trata-se do primeiro hit nacional do Camisa, o qual deu um alívio e ajudou a recarregar as baterias da banda. Carro chefe do segundo LP do grupo, Batalhões de Estranhos (1984), Eu Não Matei Joana D´Arc foi executada de norte a sul do país e nos mais variados ambientes. Dos serviços de alto-falante de cidades do interior às discotecas da zona sul das metrópoles.

08. Bete Morreu

Ali por volta de 1981/85 existiu em Salvador uma gang de garotos de classe média que praticavam assaltos e estupros, e eles se auto intitulavam Stones. Soube-se depois que esta canção era cultuada por eles como um hino, porém nunca houve ligação entre a banda e a gang. No entanto, a letra foi inspirada numa notícia de jornal sobre fatos correlatos.

09. A Ferro e Fogo

A Ferro e Fogo fecha o álbum Correndo o Risco, de 1986, e causou espanto entre os fãs quando eles a ouviram pela primeira vez. Afinal, ali estava o “punk” Camisa de Vênus sendo acompanhado por uma orquestra numa canção de longa duração que extrapolava o padrão dos 3 ou 5 minutos. A letra, um épico, confirma o dom de Marcelo Nova para lidar com palavras.

10. Muita Estrela, Pouca Constelação

Tive o prazer de assistir às sessões de gravações desta canção que, na minha modesta opinião, é uma das músicas mais geniais do Camisa. E ainda por cima em parceria com o mestre Raul Seixas, uma combinação altamente subversiva. Um fiel retrato não apenas do rock brasileiro, mas do showbiz como um todo. “A festa é boa e tem alguém que ta bancando... até que parece sério...”.

11. Correndo Sem Parar

Nos primeiros shows do Camisa a platéia costumava acompanhar esta música simulando uma corrida. Fala das pichações que fazíamos para promover uma agitação cultural na cidade de Salvador – eu com o Faustino e a banda para divulgar as apresentações. E aprontávamos durante a madrugada sob o risco de sermos detidos. Daí tudo tinha de ser feito Correndo Sem Parar...

12. O Adventista

Um dos maiores trunfos do Camisa é seu humor de estremo sarcasmo, porém sem cair no engraçadinho jamais. Era uma sensação de alma lavada ouvir versos como “eu acredito em quem anda com fé (alusão direta a Gilberto Gil), eu acredito em Xuxa e em Pelé... eu acredito no beijo do Papa, eu acredito no Cristo que padece, eu acredito no INPS... eu acredito no partido trabalhista...”.

13. Dogmas Tecnofascistas

Outro libelo do primeiro LP sobre a contemporaneidade. O tempo das inteligências pré-fabricadas, o “alto astral”, o certificado de garantia caso sua vida se estrague, os dogmas nossos de cada dia e a obrigação de se viver no quadro social direcionados pela mensagem subliminar que nos é imposta: “siga a matilha ou vai morrer sozinho”.

14. My Way

Antes de aparecer no disco Viva, de 1986, esta versão de My Way já era tocada pelo Camisa desde os primeiros shows em Salvador. Ao longo dos anos seguintes a letra foi sendo modificada aqui e ali até a versão final que está no álbum ao vivo. Uma das canções mais densas e confessionais da banda.

15. Aluga se

É bom que todos saibam que o Camisa foi a ÚNICA banda do rock brasileiro dos anos 80 que sempre fez questão de demonstrar desde o início a influência de Raul Seixas em sua proposta estética. As bandas do BRock até evitavam alusões com o trabalho do Maluco Beleza. O Camisa e, principalmente, Marcelo fez o resgate da obra de Raul com este ainda em vida. Aluga-se continua sendo a cara do nosso país e a solução continua sendo alugar o Brasil.

16. Rostos e Aeroportos

A temática urbana punk sempre esteve presente nas veias do Camisa, contudo já no segundo LP, Batalhões de Estranhos (1984), a banda apontou outros caminhos a serem seguidos. Rostos e Aeroportos é um blues que comprova a mudança de rumo que eles iriam promover a partir de então.

17. Canalha

Eu fiz a arte e as ilustrações internas da capa do álbum Duplo Sentido (1987). Um discaço do Camisa, o último da primeira fase deles, e o lado 4 é só de covers, entre elas Canalha de autoria do paulista Walter Franco. A canção aborda essa dor que toma conta do ser humano a qual não sabemos diagnosticar. E quando ela chega é mesmo uma dor canaaaaalha!

18. Controle Total

Controle Total foi o primeiro sucesso radiofônico do Camisa de Vênus lá nos idos de 1982. Tocava diuturnamente nas rádios da capital baiana a pedido da audiência, fato este que surpreendeu a todos, pois ninguém imaginava que uma música que esculhambava com o balneário soteropolitano pudesse cair no gosto popular. “Salvador, a cidade do axé, a cidade do horror”. Continua igual. Ou pior.

19. Metástase

Marx, Hitler, Freud e Jesus no caldeirão da inquisição sonora do Camisa. Ok, a temática é diretamente chupada de uma canção de uma banda inglesa chamada Crass. Aliás, igualmente a várias músicas da fase inicial do grupo baiano. Porém adaptadas com maestria à nossa língua e realidade. Muitos acusam o Camisa de fazer uso indiscriminado deste artifício, mas esta é uma das táticas eternas do rock´n´roll. Apropriar-se de coisas já feitas. Vide o que fizeram Zeppelin, Deep Purple, Dylan (ele ainda faz isso e cada vez mais explicitamente), etc etc etc.

20. Negue

Uma das táticas do Camisa sempre foi a de sacanear a nossa sisuda Música Popular Brasileira. Negue é um cover de Adelino Moreira, compositor admirado pela banda. Mas a sátira não é uma referência a Adelino, e sim a Maria Bethânia e seu jeito “dramático” de interpretá-la. Nas primeiras apresentações do Camisa, na hora que eles executavam Negue os roadies traziam para o palco uma boneca inflável apelidada com o sugestivo nome de... Maria Bethânia.


The Very Best of Camisa de Vênus by Lágrima Psicodélica

Imagem da Capa Sara_Evil

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