30 de out de 2007

Raul Seixas - Entrevistas - Depoimentos- Alguns Discos

Raul Seixas - Entrevistas - Depoimentos- Alguns Discos
Sábado, 13 de Janeiro de 2007

Raul Seixas Marcelo Nova e a Envergadura Moral! 16-05-1989.
ESPECIAL:
Senhoras e Senhores :
Raul Seixas e Marcelo Nova e a Envergadura Moral!
Apucarana, Pr. Terça Feira, 16 de Maio de 1989.TIBUNA DA CIDADE. O Jornal do Norte do Paraná.Especial:Raul Santos Seixas, e a verdade sobre a (Marcelo) nova escursão do admirável metafísico do rock, sua vida atual, seu último trabalho, sua saúde, o passado e, sobretudo, o futuro.Uma exclusiva conversa com o mito e seus amigos no camarim do ginásio Chico Neto, em Maringá, desmente o anunciado “fim” do roqueiro.Raul, que não tem recebido a imprensa, está lúcido e maduro como nunca, passa horas compondo e emociona milhares de fãs de todo o País.

Senhoras e Senhores:

RAUL SEIXAS.Reportagem e Fotos de : OTÁVIO PAULO GENTA.

A partir de um convite feito por Marcelo Nova, ex-líder do conjunto baiano “Camisa de Vênus”, Raul Seixas saiu de um período de quatro anos afastado dos palcos para brilhar numa excursão nacional que vem lotando ginásios no País inteiro.
Um feliz encontro que só foi descoberto pelo público em setembro do ano passado, quando Raul apareceu ao lado de Marcelo e sua nova banda “Envergadura Moral”; em um delirante show no Teatro Castro Alves, em Salvador.

Aliás, por incrível que possa parecer aos atuais fãs do rock, acostumados a ouvir este gênero quase sempre vindo do eixo São Paulo-Rio-Brasília, tanto Raul como Marcelo começaram suas carreras de roqueiros na Bahia .
Foi em Salvador em pleno surgimento da “Tropicália”, com Caetano, Gil e outros, que Raul começou a se apresentar como “Raulzito e Seus Panteras” , o início de tudo.

Raul comenta que nesta época, também compôs músicas para o pessoal da “Jovem Guarda”, como Renato e seus Blue Caps, Wanderléia, Leno e Lílian e Jerry Adriane.Perguntado sobre com quem desta época ele ainda tem ligação, responde sem hesitar, para a surpresa da reportagem :”Jerry Adriane. Ele é meu compadre, padrinho da minha filha mais velha, Simone”.O músico conta que de seus cinco casamentos teve apenas três filhas:Simone Andréa, 18 anos, do primeiro casamento, que hoje ensina natação nos Estados Unidos e ele não vê a onze anos “porque a mãe dela proibiu ”; Scarlet Rimbow, 14 anos, do segundo casamento, que também mora nos EUA e Vivian 9 anos, do quarto casamento, esta ultima morando no Brasil com a Mãe KIKA.

Atualmente revela não ter mulher nenhuma, nem namorada, embora a presença de uma loira antiga namorada de Raul, nos shows de Londrina e Maringá, bem como nos saguões dos hotéis em que se hospedou o grupo nestas cidades, tenha confundido algumas pessoas, gerando especulações e comentários.

Raul Seixas que deixou Salvador e mudou-se para São Paulo a quatro anos, atualmente mora no bairro de Cerqueira Cezar, saiu de sua casa quase que exclusivamente a trabalho.Fora isto seus programas se limitam no máximo a um bom restaurante e entre seus pratos prediletos despontam o mocotó e uma peixada baiana.

A atual fase do artista, desde que a um ano se separou de Helena, sua última mulher, é de compor.Aliás, mesmo durante a escursão, nos quartos de hotel, Raul passa cerca de quatro horas por dia compondo.

Desta dedicação surgiram as composições do próximo disco em parceria com Marcelo Nova, cujo nome será “Panela do Diabo” e deverá sair em agosto próximo.
Todas as faixas prontas até agora (faltam duas ou três musicas para terminar) são assinadas por Raul e Marcelo, com exceção de uma chamada de ‘’Nuit’’ composta por Raul com sua ex-mulher Kika.

Ele explica o nome: ”Nuit” é uma entidade egípcia que representa a mulher, de acordo com a sociedade esotérica Astrus Argentum”.

Raul diz que já gravou 30 discos, mas que existem também muitas coletâneas feitas por gravadoras que foram relançadas e não correspodem aos lps originais.Quando é indagado sobre qual de seus trabalhos gosta mais, ele destaca os lps “metro 743”E Gitã (vc não gosta pergunta me olhando), e entre as músicas fala cariosamente de “a maçã” (Se esse amor/ficar entre nóis dois/vai ser tão pobre amor/vai se gastar/ e do hino ‘Sociedade Alternativa’).

Nos shows ele canta esta última e , no final, lê para o público os princípios daquela sociedade esotérica, pela liberdade do ser humano.

No novo trabalho não há mais a preocupação em abordar especificamente temas políticos, embora de forma genérica acredita haver sempre um sentido filosófico e político em suas letras.

‘’O que mais uniu o meu trabalho com o de Marcelo Nova foi o interesse comum pela metafísica(doutrina da essência das coisas, conhecimento das causa primárias, transcendência.Do grego ‘meta tá physika’) , depois da física, porque nas obras de Aristóteles esta ciência é tratada depois da física).Quanto a política, eleição para presidente etc.., não gosta muito de falar nisso que define como “essa merda toda”.Fala ainda não gostar de rock feito no Brasil atualmente.”Essa meninada reclama muito, faz malcriação e descuida da harmonia”.Abre algumas exceções e, além de Marcelo Nova, que demonstra ter em grande conta, chega a mencionar Celso Blues Boy, com quem gravou “Aluga-se o Brasil”, em 1982.Então surge a inevitável pergunta: o que você está ouvindo ultimamente, que tipo de musica inspira você ?“Eu gosto muito de blues e é o que tenho escutado ultimamente”.

Nova pergunta:
""Você gosta dos bluesmem que estão aparecendo do agora, como Stevie Ray Vaughan, nos Estados Unidos? """"Não, Não eu só gosto do pessoal da pesada como ‘Lightnin ’Hopkins´,’Muddy Waters’, e ‘Hollin ’´Wolf´, do ‘Tradicional Blues’.Do seu lado, no camarim observo a fiel guitarra Guild (antiga marca recentemente comprada pela Gibson) que empunha nos shows desde os velhos tempos até hoje, apesar do inaceitável boato de que nos shows ela ficou desligada.Na verdade o precioso instrumento ainda ressoa alto e em bom som, num perfeito ‘dueto’ com a voz de seu mestre.

Nesse momento alguém passa com um copo de Wisky e oferece a Raul que delicadamente, mas apenas com um jesto rejeita.
Alguns fãs, e inclusive jornalistas que não conseguiram entrevista-lo, pensam que Raul, conhecido por gostar de beber, tem entrado no palco bêbado, devido a sua própria fragilidade ao se movimentar.

Que ele gosta de beber é verdade, mas tem evitado álcool na excursão, que é apoiado pelos demais músicos, todos sabedores do seu estado de saúde.O grupo sabe que Raul está diabético, sob tratamento médico, mas ele parece encarar seus problemas de saúde com a sobriedade e consciência de quem já se deu ao luxo de fazer muitos excessos.

Mas se por um lado seu vigor físico está comprometido, por outro, o músico está lúcido, criativo e trabalhando muitas horas por dia, bebendo água com gás e compondo sem parar.Quem tem estado bem próximo de Raul trabalhando muito por ele, são os zelosos Fernando Riobeiro (Segurança Pessoal) e Dalva Borges da Silva (Secretária e Governanta).

Fernando, ex –Fonseca’s Gang (conhecida empresa para segurança de artistas), que também é piloto de provas de Hamaha Motor do Brasil, voltou recentemente de uma estadia de dois anos no Japão e diz que sua prioridade é Raul Seixas.Fala que ‘Raul não gosta de tirar fotos, a menos que seja para um fã e não deseja dar entrevistas por ter sidop muitas vezes vitimado pela imprenssa, quando era rebelde e isto não era aceito.Hoje ele é um home maduro que viveu seu tempo e rejeita a imprenssa a fim de preservar sua intimidade e não ver seu trabalho distorcido.Quanto ao grupo, diz ser uma família perfeita, com respeito ao espaço um do outro””.
Dalva a cinco anos com Raul, conta que após a separação de sua ultima esposa Lena, há um ano, ela passou a cuidar de tudo.

Segundo ela, é difissil expressar quem é o Raul, uma pessoa de coração bom que já formou umas seis coleções completas de seus próprios discos, mas que depois o fâ clube pede e ele dá. Ele é de sair pouco e sobre seu dia a dia, diz que não tem horário fixo para nada, por isso que ele é ‘RAUL SEIXAS’”Ainda com 43 anos (nasceu em 28/julho/1945), conta de seus planos para o futuro próximo e responde o que um artista como ele, uma lenda viva, dono de uma obra admirável gostaria de fazer agora .

” Agora eu acabo de assinar um contrato exclusivo de seis anos com a gravadora Werner (depois de deixar a Copacabana )” e estou programando para logo depois do lançamento da “Panela do Diabo”, dois vídeo-clips, um inclusive para promover o disco.Mas o que eu gostaria de fazer que eu ainda não fiz é cinema, eu já fiz televisão, mas não cinema.Tenho um roteiro de um filme escrito por mim, que quero ver realizado”.

Mas não dá dica sobre o assunto ou nome do filme, dizendo que é para não dar polêmica agora.Raul comenta o que acha da declaração de um jornalista da TV Coroados de Londrina, que disse”é uma pena que Raul Seixas chegue perto do fim de sua carreira desse modo, participando como coadjuvante no Show de outra pessoa ”.

Ele diz:“É justamente ao contrário, estou começando de novo após quatro anos”.
Chega a hora do mito subir ao Palco.O tempo só dá para mais uma fóto em que ele, espontânea e cariosamente, abraça o emocionado repórter.Olho aquela figura imponente pegar sua velha guitarra e sumir no túnil do camarim, até ouvir o súbito delírio de milhares de pessoas gritando seu nome.

RAUL!RAUL!RAUL!

Artistas a gente encontra,mas com tal beleza e felicidade talvez já não exista mais.
Saúde Raul Seixas.Marcelo Nova e a Envergadura Moral.Marcelo Nova, compositor e vocalista, diz ter dado este nome ao grupo que lidera atualmente porque primeiro deu ao público o “Camisa de Vênus “ numa época de Aids , mas agora acha que o Pais precisa de Evergadura Moral para enfrentar a porca vergonha que está institucionalizada.

Quatro músicos o acompanham neste novo trabalho:

Gustavo Mullen, na guitarra, que já tocava no extinto “Camisa de Vênus”, é definido por Marcelo como “um músico que tem a grande virtude de tocar com o coração” e executa trecho de nosso hino nacional durante os shows .Pergunto se não acha estar reeditando Jimmy Hendrix, respondeu: “Cada um toca o seu hino”.

João chaves (Johnny Boy) é tecladista, um músico habilidoso, com formação jazzística, que também sabe tocar guitarra, baixo e sax, conta rindo que uma fã foi até ele pediu um autógrafo porque gostou muito do “emborgadura moral”.Carlos Albertyo Calanzas (Petch), baixista , era um músico praticamente de estúdio, vindo de Jundiaí , interior de São Paulo. Com muita presença e sorriso sempre aberto a tocar tudo o que tem direito andando de um lado para o outro no palco.

Ele não conta mas é irmão do já famoso Paulinho Calazans, produtor no meio musical e tecladista, atualmente acompanhando Djavan.Flankin Paolilo, na bateria é responsável pela forte pulsação do “envergadura”. Este é o membro do grupo que tem mais estrada (ele também não disse mas não é preciso), já tendo tocado com grandes grupos do rock tupiniquim, como o “Made in Brazil”, (ao lado de Osvaldo e Celso Vechionne na formação de 1977) no LP Fruto Proibido, álbum que tornou a cantota, sem os Mutantes conhecida do grande público com a música”Ovelha Negra”, os extintos “O Terço”, e “Joelho de Porco”. Além de Lúcia Turmbull e outros”.

Agradecimentos : Marcos e Elza.

http://cantinadorock.blogspot.com/

Esta é a mais importante publicação da Cantina do Rock, e dúvido mesmo que tenhamos algo mais valiozo no futuro a apresentar que esta:
A entrevista perdida de Raul Seixas!

Este material não é encontrado na melhor coletânea de informações de Raul Seixas "O Baú do Raul", nestes ultimos quatro anos da vida de Raul, existem pouquissimo material documentado, ainda mais sobre coisas intimas e restrita apenas a um pequeno circulo:
Grandes amigos...os verdadeiros!

Raul muito obrigado por abrir uma porta onde eu possa pensar por mim mesmo!
Não só a mim mas a todos que olham o novo com olhos novos!
Acervo pessoal de Venâncio Rock And Roll!

http://cantinadorock.blogspot.com/
BELEZA!

Postado por Venâncio Rock and Roll às
04:03

1 comentários:
Anônimo disse...
Para muitos a verdade, as vezes demora a subir a tona..e para muitos ao contrário de sua eterna vontade(verdade)... assim como um corpo submerso putrificado ao emergir exala a sua realidade!
1/14/2007 06:21:00 PM


Raul Seixas - Por Quem os Sinos Dobram [1979]

Toda a seleção musical escrita por Raul Seixas e Oscar Rasmussen.Agradecimentos especiais a Carlos Peixinho.Ficha Técnica: 1979 Warner Discos/ Sigem EditoresArranjos de base Raul Seixas- Paulo César- Dori CaymmiMúsicos de base: Baixo Paulo CésarGuitarras Robson Jorge- Rick Ferreira- Sérgio DiasBateria Picolé-Mamão-PedrinhoTeclados Dom Charlie Participações especiais Dori Caymmi /violãoDanilo Caymmi/ flautaOberdan/sax
Faixas:
1- IDE A MIM DADA2- DIAMANTE DE MENDIGO3- A ILHA DA FANTASIA4- NA RODOVIÁRIA5- POR QUEM OS SINOS DOBRAM6- O SEGREDO DO UNIVERSO7- DÁ-LHE QUE DÁ8- MOVIDO A ALCOOL9- REQUIEN PARA UMA FLOR


Raul Seixas - Mata Virgem [1979]

Ficha técnica:1979 Warner Discos/ Editora Warner ChappellDireção Artística MazolaDireção de Estúdio Gastaõ LamounierDireção Musical Raul Seixas*Técnicos de gravação Vitor- ToninhoMixagem MazolaCapa Ruth FreihofFoto Januário GarciaArranjos de base Miguel CidrasMúsicos de base: Bateria Pedrinho - Jorginho-Paulo Braga- GustavoBaixo Paulo César Barros- Didi - Jamil JoanesPiano Antônio Adolfo- Miguel CidrasGuitarras Rick Ferreira- Claudinho-Pepeu GomesPercussão ChacalViola Rick FerreiraParticipação especial Regional do Jackson do Pandeiro.Extraia o sumo: Raul Seixas - Mata Virgem [1979]
Faixas:
1- JUDAS (Raul Seixas - Paulo Coelho)2- AS PROFECIAS (Raul Seixas - Paulo Coelho)3- TÁ NA HORA (Raul Seixas - Paulo Coelho)4- PLANOS DE PAPEL (Raul Seixas)5- CONSERVE SEU MEDO (Raul Seixas - Paulo Coelho)6- NEGÓCIO É (Eduardo Brasil - Claudio Roberto )7- MATA VIRGEM (Raul Seixas - Tânia Menna Barreto)8- PAGANDO BRABO (Raul Seixas - Tânia Menna Barreto)9- MAGIA DE AMOR (Raul Seixas- Paulo Coelho)10-TODO MUNDO EXPLICA ( Raul Seixas.

Kika Seixas, a única ex-mulher de Raul Seixas que mantém ligação direta com a obra do artista, revelou em entrevista feita em sua casa, no Rio, detalhes da vida a dois nesse casamento que durou cinco anos.Apontada por alguns inimigos como "aproveitadora" do legado do ex-marido, dá de ombros. Defende seu trabalho como fundamental para que a imagem de Raul se mantenha viva.Kika conheceu Raul com 27 anos, quando, segundo ela mesma, era "linda e maravilhosa" e mantinha um relacionamento com o então chefão da Warner no Brasil, André Midani. Largou-o por Raul, com quem acabou tendo uma filha, Vivian, hoje com 18 anos. Passados cinco anos, deixou-o também: "Ele começou a cheirar éter, aí foi demais". Atualmente casada com João Carlos de Paranaguá, produtor, com quem mantém excelente relacionamento, Kika não esqueceu de Raul. "Ele foi e sempre continuará sendo importante para mim. Até por isso continuarei trabalhando pela sua obra."A ingenuidade"Ele vivia 24 horas o artista Raul Seixas. Não tinha um distanciamento, o que até criava problemas. Dormia e acordava de botas e óculos escuros. Essa ingenuidade era um negócio muito genuíno dele, talvez até um pouco demais da conta. Os artistas atuais têm um distanciamento maior, acho que foi aí que ele se perdeu..."A Sociedade Alternativa"Gozado, não sei se o Raul tinha dimensão do que era isso. Ele era apolítico, então, sinceramente, não sei o que pretendia com isso, acho que era só um sonho. Até hoje, pessoas me perguntam isso, o que é a Cidade das Estrelas, se ela existiu. Acho que a Sociedade Alternativa ficou sendo mais uma pessoa, mais um ponto de vista do público dele do que dele mesmo. Eu me lembro que uma vez magoei muito o Raul, quando disse: 'Isso aí é um papo completamente impossível, que Sociedade Alternativa é essa, cara? Como é que você quer criar algo, em que bases, o que é isso, que palhaçada é essa? Sociedade Alternativa porra nenhuma, você não é capaz de gerir a sua própria vida, a sua família'. Ele ficou arrasado naquele dia, deprimido."Últimos momentos"Ele morreu cheirando e bebendo. No último fim de semana tinha cheirado e bebido e, como nos finais de semana a empregada não ficava em casa, e era ela quem o pressionava para tomar as injeções de insulina, não resistiu. Cara, o Raul detestava aquelas injeções de insulina. Não há nada menos rock'n'roll que o cara ter de se medicar, entendeu? Raul detestava isso e a empregada, a Dalva, enchia tanto o saco dele que ele acabava se aplicando. Foi opção dele, entendeu? Inclusive o Marcelo Nova, no final, montou um esquema de segurança para proteger o Raul e ele detestava aquilo. Dizia: 'Poxa, você viu os seguranças, os trogloditas que estão lá fora, uns caras agressivos pra caramba!' Mas era tudo para não deixar ninguém chegar perto do Raul e dar cocaína ou bebida pra ele, mas ele ficava arrasado. Era aquilo que ele queria. O fim da vida de Raul foi uma tragédia. Raul estava feio, gordo, não tomava mais banho, não andava, se arrastava, não cantava mais, estava sem dentes. Olha, no final da vida, na intimidade, eu vou te contar, ele me chamava para dormir e eu ia lá, o Raul fazia xixi nas calças, o álcool já tinha consumido tudo. Ele não comia, era uma tragédia, eu olhava para a vida de Raul e, de certa forma, dei graças a Deus por ele ter morrido, eu não sei o que seria a vida dele se estivesse vivo."O público e a imprensa"Quando faço o Baú do Raul (show promovido por ela) é óbvio e lógico que vem um monte de coroas e tal, mas quem mais vem é a garotada. E ainda tem um pessoal que 'recebe' uns santos e diz que eu estou incomodando a alma do Raul. Que ele precisa descansar, que preciso parar de fazer shows etc. agora mesmo me mandaram um livro que fala do roqueiro do além. É um escândalo, bicho. O cara não diz que é o Raul, mas dá a entender que é o Raul. Mas não é, porra nenhuma, não tem Raul nenhum ali, é uma coisa estranhíssima. O tal do roqueiro do além não tem nada a ver com o Raul. O verdadeiro Raul tá adorando tudo isso que a gente faz... Quem criou o mito foi o público, o povo. Eles que trouxeram o Raul de volta, porque os jornalistas, a mídia, estava meio assim porque ele tinha criado uma tarja de inconseqüente, alcoólatra, viciado, irresponsável e, quando ele morreu, a mídia preferiu ignorá-lo, como já vinha fazendo no fim da vida dele e, mesmo assim, vendia as 100.000 cópias dele. Mas eles tiveram de dar a mão à palmatória até porque no enterro, na Bahia, eram 5.000 pessoas, uma loucura. Uma hora o caixão fugiu, foi indo embora e aí dona Maria Eugênia falou: 'Deixe, deixe que levem o meu filho, eles que enterrem meu filho'. Quando fomos ver, o caixão já estava duzentos metros à frente, sendo enterrado pelo povo, pelo público dele. Em São Paulo, foi a mesma coisa. O público só deixou o funeral sair quando veio o corpo de bombeiros.Encontro com John Lennon"Essas histórias são fantasias, fantasias."Sempre ligado"Ele sempre bebeu. Dizia que desde os doze anos tomava uns porres em um lugar chamado Cantinho da Música. Ele sempre teve muita dificuldade de conviver com a realidade, ficava sempre deprimido, tomava Diempax e outras bolas. A realidade para ele era demais, demais mesmo. Ele também deixava todas as luzes da casa acesas porque tinha horror a dormir. Estava sempre ligado, bicho. Achava perda de tempo dormir. Dormia demais quando estava deprimido, podia passar o dia inteiro dormindo, entendeu? Mas dormia pouco. Tipo, quando dormia à meia-noite, às 4 da manhã estava feliz da vida, acordado. Aí, pegava a Vivian e trazia para eu dar de mamar. Estava sempre acordado."A relação com Paulo Coelho"Eu vivi seis anos com o Raul, ele sentia falta, digamos assim, daquele período de criatividade intensa, o Paulo é um homem inteligente, mas o Raul fez questão de criar um distanciamento mesmo do Paulo, eu não sei por que e também não gosto muito de falar sobre isso, acho que isso acaba virando fofoca."As drogas"Ninguém consegue viver com o álcool e as drogas o dia inteiro e depois, à noite, ir fazer show ou gravar um disco. Quando ele ia gravar, às vezes ficávamos um mês no estúdio. Ele se trancafiava cheirando cocaína durante cinco dias seguidos e no sexto, sétimo dia ia para o estúdio. Qual é o ser humano que consegue isso? E o fato é que realmente saíam obras-primas, saiu Gita, Aluga-se, saíram todas, mas no sétimo dia, bicho, alguma coisa ia ficar ruim, ou o pâncreas dele ia pras cucuias, como foi. Mas tudo por conta da arte, nunca vi o Raul cheirando ou bebendo para bater um papinho ou ficar doidão, não, o negócio era compor que nem um louco..."O Rock das 'Aranha'"Estávamos em Miguel Pereira com o Cláudio Roberto (um dos mais importantes parceiros de Raul). Estava, ele, a Ângela, mulher de Cláudio, e nós. Fomos passar o fim de semana com eles, coisa de amigo mesmo. Mas bastava se encontrarem que os caras compunham. Nesse final de semana, eles fizeram Ângela, obra-prima, para mim e para a Ângela, porque eram duas Ângelas. Fomos dormir e no dia seguinte, quando eu e Ângela acordamos, tinha o Rock das 'Aranha' pronto. A Ângela, caretérrima, achou um horror a música. Eu de cara achei genial. Foi assim a história."O lado machão"O Raul tinha horror a lésbica, tinha horror a viado, nesse sentido era a pessoa mais careta que eu vi na vida. Boiola não podia nem chegar perto, o Raul ficava incomodado, saía da sala, ficava piscando, fazendo trejeitos. Por isso digo que o Rock das 'Aranha' foi pura sacanagem, só. Por isso, essa fofoca que rolou por conta de o Paulo Coelho ter dito que tentou transar com um outro homem duas vezes não tem nada com o Raul. Isso é sacanagem. É foda, cara: até o João, meu marido, me acordou quando saiu essa matéria, dizendo: 'Kika, o Raul era viado, tá escrito'. Eu disse: 'Não fala bobeira, João. Ele era porreta'. 'É viado, é viado, tá escrito aqui!', ele insistiu. Mas eu garanto, não foi com ele que o Paulo teve essa relação."A dependência química"Ele acordava cedo, ia para o bar e tomava vodca com Coca-Cola. Isso às 9 horas da manhã, ficava um pouco no bar, e quando dava 11 horas voltava para casa, tomava o café tradicional, depois ia para o bar novamente beliscar uma língua ou carne assada. Voltava ao meio-dia, ouvia som e caía duro na cama. À tarde precisava de alguma coisa na agenda para fazer, para preencher o dia, senão descambava, mas para levantar tinha de ter o combustível."As parcerias"Eu não sou burra, bicho, sou uma mulher inteligente. De repente, o Raul dizia 'vamos compor' e eu topava. Ele dava uma palavra, eu outra, e aí rolava a frase. Mas, muitas vezes deixei de botar o meu nome em parcerias porque achava que ficaria ruim para o Raul ter mais de uma parceria, deixei de ganhar dinheiro. Se tivesse colocado, hoje teria direito aos direitos autorais. Achei que ficaria melhor para a imagem dele. Aluga-se é minha, Abre-te Sésamo é minha, Só pra Variar é minha; eu estava lá nesses momentos. Mas achava que não devia deixar o público saber que foi feito por outra pessoa, mais uma mulher, mais um parceiro. Achava que tinha de preservar o Raul, bicho... eu amo o Raul. Ele até me falava: 'Kika, a gente tá deixando de ganhar dinheiro. Se você diz que a música é só minha e de outro cara, a gente ganha metade e metade. Se você disser que a música é de Raul, Kika e o outro, vai ficar um terço pra cada um'."Os direitos autorais"Hoje ele rende U$ 120.000,00, cara, 120.000 dólares para as herdeiras por ano. Quando peguei para tocar, elas só recebiam 50.000 dólares, por isso acho que ajudei bastante. O Raul é a terceira maior execução do Brasil. Desde botecos até os shows. É, bicho, depois que comecei a assumir esse trabalho gratuito, de gerenciar o trabalho do Raul, as coisas começaram a ser pagas direitinho. E isso não reverte nada para a minha firma, nenhum tostão, só a minha filha que recebe. E eu quero receber, sim, 5, 10 ou 15 porcento como agenciadora disso. As outras filhas dele não sabem nada do que acontece, os advogados delas não sabem nada, só recebem. Só recolhem o que é depositado. Por isso vou entrar na Justiça pedindo o que é meu de direito. Isso só acontece porque as herdeiras não estão sabendo o que está ocorrendo, porque os advogados não têm interesse de passar para elas que existe uma pessoa que trabalha e que vive Raul, e que trabalha para o nome Raul, senão a percentagem deles ia ser provavelmente diminuída. Se tem uma pessoa que realmente trabalha Raul Seixas, divulga, então por que os advogados ganham 9 porcento? Como eles não querem diminuir essa soma, então fui para a Justiça, estou botando todo mundo na Justiça, inclusive minha filha."Material inédito"Sim, tenho, sem dúvida, porque compro coisas quando sei que são inéditas, porque quero deixar coisas para a minha filha poder ter algum retorno no futuro. Por isso não fiz um CD-ROM nem um filme. Estou guardando isso para a Vivi (Vivian)."Frágil e forte"Ele era extremamente frágil, de um lado, e corajoso, do outro. Ficou quatro meses entubado no hospital Albert Einstein e nunca vi esse homem reclamar. Nem dar um ai. Ele não comia, só tomava injeção. Quatro meses deitado numa cama. É isso que eu digo, nessas horas ele era uma força gigantesca. Passou dois anos sem gravar e nunca vi Raul dizendo: 'que merda a minha vida'. Ele foi uma fortaleza até mesmo no final da vida. Mesmo do jeito que ele estava teve coragem de tentar me seduzir. Precisa ser muito homem pra fazer isso na situação em que ele já se encontrava."*******************************************************************************A Mãe guarda tanto amor,que não encontra empecilhopara ocultar sua dorem respeito a dor do filho...(Ademar Macedo/RN)
Postado por Poeira e Cantos às
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D. Maria Eugênia, mãe do Raul Seixas na Caros Amigos [1999]
Entrevista concedida por D. Maria Eugênia,Mãe de Raul, à revista Caros Amigos, em 1999Caros Amigos - Como era o Raul na infância, em Salvador?D. Maria Eugênia - Raulzito sempre foi um menino muito inteligente e travesso. Ele usava o irmão mais moço, o Plínio, para as artes dele. Tinha mania de pegar os cadernos do colégio e fazer histórias e desenhos e depois os vendia ao irmão. Isso só pela farra, pela brincadeira, porque não ligava para dinheiro. Ficou três anos na 1ª série. Perdia o ano de tanto que faltava. Fugia do colégio e ia para uma casa que chamava Cantinho da Música para ouvir Elvis Presley. Raulzito também era muito amoroso e apegado à família. Adorava o irmão.Caros Amigos - Ele sempre teve alguma relação com a música?D. Maria Eugênia - Sempre. Naquele tempo ele tinha um gravador de fitas de rolo e gostava muito de ouvir baião e música cubana. Dizia que baião era igual ao ritmo de Elvis Presley. Dizia que Luís Gonzaga e Elvis Presley eram muito iguais. Desde pequeno falava que um dia iria colocar sua mão no cimento, entre os artistas de Hollywood, na Calçada da Fama. Com doze ou treze anos já fazia shows no interior da Bahia. Ia de ônibus comum, ele mais os irmãos Thildo Gama e Décio. Cantavam também em um programa de calouro lá em Salvador, mas o apresentador meteu o gongo neles.Caros Amigos - Como a senhora reagiu ao perceber que seu filho seria um artista?D. Maria Eugênia - Era totalmente contra, Ave Maria! Meu Deus! Quem é que queria que um filho fosse artista? Naquela época, artista não tinha o menor valor. Eram boêmios e boas-vidas. Batalhei um bocado para que ele não fosse artista, eu e o pai, Raul Varella Seixas. Queria que ele fosse diplomata. Raul tinha muito jeito para isso, pois era educado, delicado, sabia falar inglês. Daria um diplomata de primeira. O consulado americano era perto de casa e ele não saía de lá, conviveu com americanos direto, a vida toda. Tinha paixão por eles. Cheguei até a mandar falar com o Itamarati, mas ele não aceitava, não. Dava bem mesmo, cantando Maluco Beleza (risos).Caros Amigos - Mas o pai tinha uma ligação com a música, não?D. Maria Eugênia - Tinha, gravou duas ou três músicas. Também lançou um livro de poesias e contos. Tocava acordeão em casa, mas não pensava em ser artista.Caros Amigos - Eles tocavam juntos?D. MAria Eugênia - Tocavam, cantavam... tenho fitas gravadas com os dois tocando e cantando juntos. Raulzito também gravou três músicas do pai, minha Viola, Lá Vai o Meu Sol e tem outra, não sei o que lá do meu coração (Coração Partido), ando muito esquecida. O Raulzito era muito inteligente, as músicas que ele fazia dava como parceria aos amigos ou mulheres com quem vivia na ocasião. Fazia isso por causa do Imposto de Renda. Inclusive o Paulo Coelho, que só dava umas pinceladas nas músicas e hoje se diz autor de muitas. É conversa fiada. Não gosto de falar o nome dele, eu tenho minhas queixas e mágoas. Paulo Coelho enganou Raulzito desde essa época.Caros Amigos - Como assim?D. Maria Eugênia - Paulo e a mulher dele faziam panfletos contra os militares e aproveitavam os shows de Raul para distribuir. Meu filho precisou ir correndo da casa dele para a casa de minha irmã Maria Angélica para se esconder de madrugada porque a Polícia Federal estava atrás dele. Em uma ocasião, Raulzito chegou com as costas todas marcadas, sujas de sangue. Eu não deixei ninguém ver meu filho assim, não. Falei para ele entrar no banheiro e ficar de cueca e lavei suas costas e coloquei remédio. Mas ele diz que não poderia demorar muito, porque tinha de se vestir e viajar. Paulo Coelho foi quem buscou Raulzito para levar ao aeroporto, pois os militares mandaram ele para fora, com o visto de ida sem volta. Raul passou um ano nos Estados Unidos. O pai de Edith, sua primeira mulher, colocou um detetive para procurá-lo, ninguém sabia onde estava, porque não tinha permissão de se comunicar com o Brasil, os militares eram fogo. Depois Gita estourou. Fez um sucesso danado. Gita foi que trouxe ele de volta. Os militares não tiveram jeito, tiveram que mandar buscá-lo.Caros Amigos - O que a senhora destacaria além da inteligência de Raul?D. Maria Eugênia - Era muita amoroso, não ligava para preto, branco, pobre, rico, abraçava todo mundo, beijava todo mundo, mesmo antes da fama. Uma ocasião, eu vi Raul fazer uma coisa que Kika (último casamento do Raul) ficou chateada. Eu, Kika, Raul e o empresário estávamos saindo de um show pelos fundos do Teatro Pixinguinha, estava um frio danado, Raul viu um velho dormindo no chão, todo lascado, tirou o casaco dele e cobriu o velho. Kika disse: "Mas você vai dar o casaco de visom para ele?" Era um casaco cor-de-rosa que ela havia comprado para Raulzito nos EUA. Ele respondeu que aquele velho precisava mais do que ele e que depois comprava outro.Caros Amigos - Ele era sempre assim?D. Maria Eugênia - Toda a vida. Não tinha apego a dinheiro e às coisas materiais. Raulzito não levava um tostão no bolso, e eu dizia: "Mas, meu filho, você vai sair sem dinheiro?" E ele perguntava: "Pra que eu quero dinheiro? Pagam tudo para mim, não preciso de dinheiro, não". As mulheres dele é que administravam as contas do banco. E doutor Hélio, que era advogado dele, comprava ações na bolsa tanto de São Paulo como do Rio.Caros Amigos - Como era a sua relação com ele? Ele ligava sempre para a senhora?D. Maria Eugênia - Ele sempre ligava para mim mesmo de madrugada e dizia: "Minha mãe, acabei de fazer um show, amanhã de manhã eu estou aí, mas não fico em Salvador, não. Vou para a chácara, não quero jornalista junto de mim".Caros Amigos - A senhora se lembra de alguma música que tenha referências da infância e adolescência do Raul? Parece que O Trem das Sete realmente fez parte da vida do Raul.D. Maria Eugênia - É verdade. Tínhamos uma casa de veraneio em Dias D'Ávila, a uns 60 quilômetros de Salvador. Naquele tempo, a estrada de rodagem era péssima, de barro. Meu marido era engenheiro da estrada de ferro da Rede Ferroviária Federal e costumávamos ir de Salvador para aquele lugarejo de trem, e era o trem das 7, que se chamava "Pirulito". É a saudade do trem das 7.Caros Amigos - Tem mais alguma música que tenha relação com a infância ou adolescência de Raul?D. Maria Eugênia - A Menina de Amaralina, mas essa ele não gostava nem de cantar. Dizia que era uma porcaria. Foi uma música que ele fez para a namorada, a Edith, que morava em Amaralina.Caros Amigos - É verdade que ele teve uma briga com o Sílvio Santos?D. Maria Eugênia - É, sim. Ele foi ao programa do Sílvio Santos e, quando chegou lá, abriu a capa, feita por Edith, e botou o peito nu para fora. Quando chegou no camarim, o Sílvio deu a maior bronca, dizia que era imoral ele botar o peito de fora. Aí começaram a discutir e foram aos tapas... Bem onde, hein? Porque hoje esse programa mostra tanta porcaria e mulher nua.Caros Amigos - E quanto à relação dele com o álcool e as drogas, como a senhora reagiu e de que forma tomou conhecimento disso?D. Maria Eugênia - Me chocou demais. Raul ligou para eu ir ao Rio de Janeiro, disse que Kika tinha sofrido um aborto e que eu precisava ficar com ela. Mas quando chegávamos do aeroporto já tinha três ou quatro homens esperando para prendê-lo. Eu perguntei por que, e a empregada dele, que eu tinha trazido de Salvador, contou que Raulzito estava metido com drogas. Depois ele começou com o álcool. Largou a droga toda e passou a beber, tirou parte do pâncreas e morreu alcoólatra. Precisei procurar um psiquiatra em Salvador, porque foi uma barra pesada o que passei. Com tudo isso, acabei ficando muito doente, muito nervosa, não dormia mais. Cansei de dar socorro, as mulheres dele me ligavam quando ele estava no auge do álcool ou da cocaína. Precisei sair de Salvador e interná-lo umas dez ou quinze vezes. Em uma ocasião, ele deu para cheirar éter e ficava doido. Ele estava casado com Kika. Nessa época, moravam no Itaim, em São Paulo, foi horrível. Ela me telefonou e disse que a situação estava péssima. Até o gato da vizinha não se agüentava em pé, o gato estava viciado.Caros Amigos - E como ele reagia a cada internação?D. Maria Eugênia - Muitas vezes ele nem sabia do que se tratava. Estava lá com a cabeça para outro lado... Em uma ocasião, ele fez uma comigo que foi horrível. Não queria ir de jeito nenhum ao hospital, mas o médico disse que primeiro ele tinha de tomar soro e glicose para diminuir o éter. Nisso, deu uma injeção nele disfarçada para ficar meio mole e inventou que eu estava passando mal. Precisei sair do médico de maca. E só assim ele foi ao hospital, agarrado na minha mão, com medo que eu tivesse alguma coisa. Em outra situação, Raul pegou a chave do apartamento e escondeu dentro da meia. Depois que o deixei na clínica, cadê a chave? Nada da chave, e acabei sendo hospedada pelo vizinha.Caros Amigos - A senhora consegue identificar o momento em que a situação ficou incontrolável?D. Maria Eugênia - Em São Paulo a coisa foi pior. Ele se achava no auge e quanto mais ele subia, mais ele bebia, mais tomava droga. Mas o psiquiatra de Salvador dizia que ele se jogou ao álcool e às drogas por trauma, paixão, porque deixou Edith. Raul a amava muito. Quando o negócio da repressão estourou e precisou ir embora, largou ela por outra, a Gloria, que vive nos Estados Unidos. Mas, além de abusar das drogas e das bebidas, ele era diabético desde os trinta anos e tinha horror a tomar insulina.Caros Amigos - Tinha que tomar insulina sempre?D. Maria Eugênia - Muitas vezes não tomava, dizem que ele morreu de madrugada por isso. Dalva, que era a secretária dele, contou que Raulzito não estava passando bem, dormia muito. Ele entrava em coma diabético direto, por causa da falta de insulina. Tomava da mais forte, porque a diabete dele era muito alta. A secretária avisou-me que chamou um médico, mas que era necessário fazer alguns exames na segunda feira. Porém, Raulzito falou que não ia e que queria ver a Kika. Nisso, Dalva foi embora para passar o fim de semana em sua casa e na segunda-feira, dia 21 de agosto, esperou até umas 9, 10 horas da manhã, viu que Raulzito estava demorando a se levantar, pois geralmente acordava cedo. Ela disse que abriu a porta, espiou, e ele estava deitado com o peito de fora, muito pálido. Entrou na ponta do pé e fechou a janela, ele já estava morto, mas ela não viu, fechou a janela, telefonou para o Marcelo Nova, ele não estava. Aí telefonou para o Jerry Adriani, mas o pai dele tinha morrido havia poucos dias e ela não achou o Jerry. Então telefonou para José Roberto Abrahão, um advogado muito amigo dele, que participou do disco A Pedra do Gênesis, e ele disse que ia, mas ia levando o médico. Quando o médico chegou, disse que Raul já tinha morrido, no meio da madrugada.Caros Amigos - E como a senhora ficou sabendo?D. Maria Eugênia - Dalva ligou para o doutor Hélio, que avisou meu filho, Plínio, que foi lá em casa com uma amiga minha, e também já tinha chamado o psiquiatra. Me deram uma injeção, colocaram-me para dormir e perguntaram se eu queria que ele fosse enterrado em São Paulo. Mas não quis, não. Disse que queria ver meu filho mesmo morto. Ele está sepultado no Jardim da Saudade, em Salvador, uma sepultura só dele, roubaram cinco lápides, foi preciso mandar pregar uma de cimento.Caros Amigos - Dizem que no dia do enterro, em Salvador, o povo começou a levar o caixão. Como foi isso?D. Maria Eugênia - Pelo amor de Deus! Um tumulto tão grande, quase jogam Plininho e minha neta dentro da sepultura, uma coisa horrível. Empurraram eles, todo mundo querendo pegar o caixão; eu não terminei de assistir à missa de corpo presente, meu marido já estava doente; começaram a dar murros na tampa, queriam abrir o caixão, já na hora de enterrar. Foi um horror, tinha mais de 5.000 ou 6.000 pessoas no enterro.Caros Amigos - Seu filho virou um mito, como é isso para a senhora?D. Maria Eugênia - É, um deus, não me largam. Pessoas do Brasil inteiro telefonam e escrevem para mim. É de Goiás, Brasília, Rio Grande do Sul, Rondônia, nem sabia que existia Rondônia, no meu tempo não havia, não. O pior é quando me ligam de madrugada, a cobrar, já pensou? Lá dos infernos, que eu não sei nem de onde estão me ligando. Eu digo: "Meu filho, eu estava dormindo, que é que você quer?" "Ah!, eu queria saber se Raulzito fazia isso ou aquilo." Eu digo: "Deixe pra amanhã, até logo". Acho que é um pessoal que está se divertindo na noite, conversando sobre Raulzito.Caros Amigos - O Raul, além de ser um artista, um músico, mostrou uma nova proposta de vida às pessoas, por exemplo, com a música Sociedade Alternativa. Como a senhora avalia isso?D. Maria Eugênia - Aliás, muita coisa que o Raulzito falou está acontecendo, esse negócio de aluga-se o Brasil é uma realidade. Muitas outras coisas que vemos hoje em dia ele já havia dito em suas músicas. Era meio profético, e muito inteligente.******************************************************************************Nem o grande Rui Barbosa,nem nosso mestre Cascudo,puderam um dia explicarcomo um homem sem estudoarranca do seu juízotanto verso de improvisocom beleza e conteúdo!(Francisco Macedo - Natal/RN)
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Raul Seixas - Abre-te Sésamo [1980]
Ficha Técnica: 1980/ CBS DiscosDireção Artística Mauro Motta -Adalberto RibeiroProdução Mauro Motta - Raul SeixasArranjos de orquestra Miguel CidrasArranjos de base Raul Seixas - Celso Blues BoyTécnicos de Som - Eugênio-Manoel-Ney-HelinhoMixagem Eugênio- ManoelMontagem AlencarFotos Frederico MendesDireção de Arte GéuMúsicos de base: Guitarras Celso Blues Boy - Rick FerreiraSteel guitar Rick Ferreiraviolão de 12 cordas Rick FerreiraBaixo Paulo César - LuizãoBateria MamaõPiano Miguel CidrasExtraia o sumo: Raul Seixas - Abre-te Sésamo [1980]Faixas:1- ABRE-TE SÉSAMO (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)2- ALUGA-SE ( Raul Seixas/ Cláudio Roberto)3- ANOS 80 (Raul Seixas/ DeDé Caiano)4- ANGELA (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)5- CONVERSA PRA BOI DORMIR ( Raul Seixas)6- MINHA VIOLA (Raul Varella Seixas)7- ROCK DAS "ARANHA" (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)8- O CONTO DO SABIO CHINÊS ( Raul Seixas)9- SÓ PRÁ VARIAR (Raul Seixas/ Kika Seixas/ Cláudio Roberto)10- BABY (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)11- Ê MEU PAI (Raul Seixas/ Cláudio Roberto)12- À BEIRA DO PANTANAL (Raul Seixas / Cláudio Roberto)*****************************************************************************Todos nós somos atoresno teatro da ilusão.Fingimos que não são doresas dores do coração!...(Ademar Macedo/RN)
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Raul Seixas no Pasquim [1973]
Entrevista Concedida ao Jornal Pasquim Rio de Janeiro, Novembro de 1973O PASQUIM - Você surgiu publicamente com Ouro de Tolo. Mas nós queremos que você conte o seu início, desde o princípio mesmo.RAUL - Vamos ver. Vamos voltar a 1959. Eu tinha um conjunto de rock, lá em Salvador. Eu morava perto de uns garotos do consulado, eles me apresentaram uns discos de rock...O PASQUIM - Qual consulado?RAUL - O americano. Estava aquela coisa acontecendo nos Estados Unidos e nós tomamos conhecimento. Nós fizemos um conjunto de rock em Salvador, e a gente viajava pra todo interior, fazendo aquela coisa, assumindo mesmo, vivendo aquela coisa da época.O PASQUIM - Como é que chamava o conjunto?RAUL - Os Panteras. Porque todo conjunto daquela época tinha nome de bicho.O PASQUIM - Era um conjunto de quantos?RAUL - Eram quatro pessoas. Guitarra, baixo e Bateria.O PASQUIM - Krig-Ha, onde fica?RAUL - Krig-Ha seria um rótulo. É uma sociedade que existe hoje no mundo inteiro, com vários nomes. Aqui no Brasil nós batizamos com o nome de Krig-Ha, que é o grito de guerra do Tarzan. Você deve ter lido Tarzan, né? Khig-Ha significa "cuidado"!O PASQUIM - Bandolo é inimigo, né?RAUL - É. Aí vem o inimigo. Tinha o dicionário de Tarzan na primeira página. Você lia e tinha a tradução. Eu sabia aquilo decorado. Mas essa sociedade promove acontecimentos. O primeiro acontecimento que essa sociedade promoveu foi o disco, o LP Krig-Ha, Bandolo!O PASQUIM - E aquele símbolo da sociedade? A chave?RAUL - Aquele símbolo é o símbolo de Amon Ra, acrescido de uma chave. Esse símbolo tem uma história interessante. Quando o Paulo Coelho, meu parceiro, tava em Amsterdã, em 67, ele estava usando um símbolo hippie no pescoço. E veio um sujeito estranhíssimo e arrancou o símbolo do peito dele e colocou esse símbolo, sem a chave e disse: "Não é nada disso. Agora é isso." Ele ficou assustadíssimo com aquele símbolo no pescoço, mas começou a usar. E nós fomos uma vez, há pouco tempo, escrever uma peça, que nós vamos lançar para o ano. Fomos lá em Mato Grosso, numa tribo de índio. E numa barraquinha de índio tava vendendo esse mesmo símbolo. Uma coisa incrível e batizamos como o símbolo da sociedade.O PASQUIM - Fale um pouco sobre a sociedade.RAUL - Como eu estava dizendo, essa sociedade promove acontecimentos. O primeiro foi o LP. O segundo foi uma procissão que foi muito bem sucedida. Foi muito bonito. A gente levou uma bandeira na rua. Uma explosão. Porque vocês sabem que tem havido uma série de implosões. Nós saímos à rua, cantando, foi muito bonito. A terceira foi esse show de teatro, esse show que nós estamos fazendo agora. E a quarta vai ser o piquenique do papo. Nós vamos convidar todos os artistas, de todos os campos e vamos fazer um piquenique bem suburbano, no jardim botânico. Todo mundo. Pra conversar. Um rapaz já se prontificou a fazer um discurso sobre "A Maldade das Formigas."O PASQUIM - Qual é o fim específico da sociedade? A que ela se propõe? Ela segue uma "filosofia"?RAUL - Essa sociedade não surgiu imposta por nenhuma verdade, nenhum líder. Não houve liderança no mundo inteiro, como se fosse tomada de consciência de uma nova tática, de novos meios.O PASQUIM - Da própria sociedade?RAUL - É, do próprio mecanismo da coisa. Nós estamos correspondendo com pessoas que fazem parte dessa sociedade, inclusive Jonh Lenon e Yoko Ono. Eles fazem parte da mesma sociedade, só que com outro nome. Nós mantemos uma correspondência constante com eles.O PASQUIM - Voltando à sua biografia. Você poderia explicar sua formação literária, como você chegou a esse texto?RAUL - Isso aí é uma coisa interessante. Antes de eu vir pro Rio eu pensava em ser escritor. Eu sempre escrevi. Antes de cantar, eu pensei em escrever. Eu tenho alguma coisa escrita guardada no baú , que penso em publicar algum dia. Eu sou muito dado à filosofia, eu estudei muito filosofia, principalmente a metafísica, ontologia, essa coisa toda. Sempre gostei muito, me interessei. Minha infância foi formada por, vamos dizer, um pessimismo incrível, de Augusto dos Anjos, de Kafka, Schopenhauer. Depois eu fui canalizando e divergindo, captando as outras coisas, abrindo mais e aceitando as outras coisas. Estudei literatura, comecei a ver a coisa sem verdades absolutas. Sempre aberto, abrindo portas para as verdades individuais. Assim, sabe? E escrevia muita poesia. Vim pra cá publicar.O PASQUIM - Você teve a intuição de que a música seria um veículo mais imediato de comunicação?RAUL - Essa tomada de consciência que eu tive foi há pouco tempo, uns dois anos atrás. Porque eu usava a música por música. E por outro lado eu queria atingir uma coisa pela literatura. Mas eu vi que a literatura é uma coisa dificílima de fazer aqui, de comunicar tão rapidamente como a música. Eu tive uma escola muito importante, que foi a CBS como produtor de discos de Jerry Adriani, de Wanderléa, daquela coisa toda de iê-iê-iê. Eu produzia discos para o Trio Ternura , aquele pessoal. Foi uma vivência fantástica para mim. Aprendi muito a comunicar.O PASQUIM - E o Paulo Coelho, teu parceiro?RAUL - Eu conheci o Paulo na Barra da Tijuca, num dia que tava lá. Às cinco horas da tarde eu tava lá meditando. Paulo também tava meditando, mas eu não o conhecia. Foi o dia que nós vimos um disco voador.O PASQUIM - Você pode falar nisso, já que tá na moda, todo mundo vendo disco voador de novo. Como é que foi isso?RAUL - Foi depois do FIC, em que eu cantei o Let Me Sing.O PASQUIM - Ano Passado.RAUL - Cinco horas da tarde. Então eu vi. Enorme, rapaz, um negócio muito bonito. Inclusive os jornais levaram a coisa pro lado sensacionalista: O cara viu o disco voador. "O profeta do apocalipse." Eu dei muita risada com isso. Mas não foi nada, foi um disco muito bonito.O PASQUIM - Dá pra descrever o disco?RAUL - Dá sim. Foi... era meio assim... prateado. Mas não dava pra ver nitidamente o prateado porque tinha uma aura alaranjada, bem forte, em volta. Mas enorme, entre onde eu estava e o horizonte. Ele tava lá parado, enorme. O Paulo veio correndo, eu não conhecia ele, mas ele disse: "Cê tá vendo o que eu tô vendo?" A gente aí sentou e o disco sumiu num ziguezague incrível.O PASQUIM - Durou quanto tempo mais ou menos?RAUL - Uns dez minutos.O PASQUIM - Qual foi o efeito disso em vocês?RAUL - Ouro de Tolo, que pintou aí. Essa música.O PASQUIM - Usaram muito esse disco pra dizer que você era místico, um negócio assim. Esse disco voador foi pra parada de sucesso.RAUL - Falta do que dizer. Não se tem mais o que falar hoje. Tem que se falar mesmo neste lado de disco voador, profeta do apocalipse. O homem que viu o disco voador dá IBOPE, chamam ele pro Sílvio Santos.O PASQUIM - Independente dessa sociedade, é claro, e das coisas em que você acredita, você não acha que o tipo de atitude que você toma publicamente influi nisso? O fato de colocar nas suas entrevistas que você viu um disco voador, o fato de você ter feito sua procissão e a entrevista que você deu à Manchete dentro do avião, no aterro...RAUL - Aquela foi gozadíssima. Ela ligou lá pra casa e disse que queria fazer uma matéria comigo, eu disse: "Pois não, mas eu tenho que fazer uma viagem de avião. Eu só dou entrevista dentro do avião." Era aquele avião que tem lá no aterro. Aí nós fomos pro avião 4 horas da tarde. Ela já tava me esperando lá. E Paulo Coelho com a mala. Todos nós entramos no avião "Cê tá gostando da viagem?" Pusemos o cinto de segurança. E ela com um medo de fazer a entrevista, um medo horrível de mim. Aí surgiu a aeromoça, que era minha mulher, servindo sanduíche, cafezinho. Ela ficou apavoradíssima. Mas foi uma brincadeira que nós fizemos, para usar a imaginação.O PASQUIM - Raul, os sinais, suas letras, está tudo ligado com um magicismo seu. Você brinca muito com isso não? Magicismo, ironia mágica, seja lá qual for. Pra botar isso bem curto: Qualé?RAUL - Vamos citar o Apocalipse bíblico. Foi escrito numa época incrível, você tinha que falar uma linguagem simbólica, uma linguagem mágica. Mas o Apocalipse é uma coisa que se adapta a qualquer época.O PASQUIM - Principalmente a atual. É, algumas épocas mais do que as outras, alguns lugares mais do que os outros.RAUL - É quase a mesma linguagem que nós estamos usando pra tentar dizer, tentar chegar a um objetivo. Não é um objetivo de uma verdade absoluta, porque ninguém aqui quer chegar a uma verdade absoluta e impô-la. Apenas se quer abrir as portas. Para as verdades individuais.O PASQUIM - Então você quer abrir uma porta na cabeça de quem tá te ouvindo. Não há uma hora em que se fecha de repente? O perigo de fazer essas coisas, o perigo do magicismo, da maneira de dizer as coisas...RAUL - É uma escada.O PASQUIM - Mas ao mesmo tempo há o perigo de você se fechar dentro do magicismo! Há esse perigo, você vê esse perigo?RAUL - Não. É uma escada. Um estágio. Nós estamos no primeiro estágio. Estamos transando com a fase "Terra" da coisa. Esse primeiro estágio tem que ser assim. O segundo estágio é outra coisa, já é mais aberto. Não se pode começar uma coisa assim, você tem que manipular. Por exemplo, Raul Seixas. Eu tô segurando Raul Seixas ali embaixo, como uma marionete. Eu tô aqui em cima. Eu sei até que ponto ele deve subir um pouquinho mais, cada vez mais. Mas nunca ele pode chegar aonde eu estou, não vou comunicar mais.O PASQUIM - Esse Raul Seixas que você manipula, que está lá embaixo, é em função de quem te escuta e te vê?RAUL - Esse Raul Seixas que está no teatro Tereza Raquel, cantando esse tipo de música, dando um certo toque mágico na coisa, é necessário. Usando muito a imaginação, a intuição. Longe, fugindo do logicismo. Esse logicismo radical, kantiano, de Pascal. Eu vejo isso como um estágio.O PASQUIM - Você faz isso mais para se entender ou pra que os outros te entendam?RAUL - Pra que os outros me entendam. Pra que eu penetre em todas as estruturas, em todas as classes, em todas as faixas. Todo mundo tá cantando A Mosca na Sopa.O PASQUIM - Eu acho que o magicismo seria uma entrelinha. Você não tem medo então de perder a linha? Você vai tanto na entrelinha que acaba perdendo a linha.RAUL - Não, que é isso? Sabe por que? Eu tenho medo de hermetismo. Eu acho que não é mais fase de hermetismo.O PASQUIM - Mas o magicismo pode cair.RAUL - Mas é um magicismo estudado. É dosado, nêgo.O PASQUIM - Se você não estiver muito sob controle, pode cair nisso. Isso exige um tremendo autocontrole, conhecimento de si próprio, senão você embarca no próprio som do que você está dizendo. Tem que saber o que você está fazendo.RAUL - Eu tô fazendo.O PASQUIM - É isso que preocupa, se você está consciente. Ô Raul, como é que você vê os seus contemporâneos no Brasil? Os que fazem outras coisas, que escrevem romances, fazem poesias, trabalham em jornal, televisão etc.RAUL - Como eu vejo a realidade? Isso aí é fogo, rapaz.O PASQUIM - Use o magicismo.RAUL - Peraí. Eu vou falar uma coisa aqui. Eu vou falar sobre os cabeludos. Eu li outro dia um negócio de Pasolini na Veja. Vocês leram? Achei fantástico. Você já não sabe mais quem é quem. Tá aquela coisa de cabeludo, tá todo mundo estereotipado. Por isso é que eu faço questão de dizer que eu não sou da turma pop, que eu não tô comendo alpiste pop. Eu sei lá, eu acho que tá todo mundo de cabeça baixa, tá todo mundo schopenhauer, todo mundo num pessimismo incrível. Essa geração audiovisual, e digo isso muito maldosamente, eu chamo eles de "audiovisuaizinhos". Minha mulher fala comigo que eu não devo fazer isso com eles, porque a garotada tá sabendo. Tá todo mundo de cabeça baixa, quieto, conformado. Eu sou um cara muito otimista nesse ponto. Sei lá, eu não sei se é a minha correspondência com o planeta, vejo a coisa em termos globais. E tá realmente acontecendo uma coisa fantástica, que é essa certeza e conscientização de que você deve ser um rato, transar de rato pra entrar no buraco de rato, vestir gravata e paletó para ser amigo do rato. E depois as coisas acontecem. Não ficar de fora fazendo bobagem, de calça Levis com tachinha. Esse tipo de protesto eu acho a coisa mais imbecil do mundo, já não se usa mais. Eles tão pensando como Jonh Lenon disse, "they think they're so classless and free". Mas não são coisa nenhuma, rapaz, tá todo mundo dentro de uma engrenagem sem controle.O PASQUIM - Vamos falar do tempo em que você era produtor de discos na CBS. A sua posição profissional era praticamente ditatorial. Como é que era a tua transa pessoal com essa gente?RAUL - Eu fazia aquela coisa porque sabia que era uma coisa inconseqüente. Eu fazendo ou não, outra pessoa ia fazer. Eu estava fazendo aquele trabalho, o diretor da CBS queria, e enquanto isso ia aprendendo a usar aquele mecanismo.O PASQUIM - Você estava de rato?RAUL - Exatamente. Eu estava de rato, vestido de rato. Foi quando surgiu a idéia de eu contratar Sérgio Sampaio e Edith Cooper, que é uma boneca lá da Bahia, um cara fantástico, muito amigo meu. Nós fizemos um disco chamado Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta: Sessão das Dez. Mas o disco foi misteriosamente tirado do mercado porque não era a linha da CBS. Esse disco foi quando eu botei as manguinhas de fora, foi quando eu comecei a fazer o trabalho. Era um disco que mostrava o panorama atual, o que tava acontecendo, o caos todo daquela época. O caosinho bonitinho que tava acontecendo naquela época.O PASQUIM - Aí você foi expulso da CBS.RAUL - Fui expulso em função desse LP. E também porque fui no festival Internacional da Canção, cantar Let Me Sing.O PASQUIM - Eles não queriam isso?RAUL - Não. Eles disseram: "Ou você é produtor ou você é cantor." Eu tinha que optar.O PASQUIM - Raul o que te levou ao hermetismo? O que você andou fazendo de coisas herméticas, e o que te deu a noção de equilíbrio?RAUL - Foi o primeiro LP que gravei na Odeon. Foi um LP louco, rapaz. Um LP extremamente filosófico, metafísico, ontológico, que falavam em sete xícaras, ou seja, as sete perguntas aristotélicas. Ou seja, as fontes do conhecimento.O PASQUIM - Como é que chamava o disco ?RAUL - Raulzito e seus Panteras.O PASQUIM - Raul, você tem filhos?RAUL - Tenho uma filha.O PASQUIM - Em 59, você fazia rock na Bahia. Você conheceu Caetano e Gil na Bahia?RAUL - Conheci o Gil.O PASQUIM - Isso foi antes do tempo de Gessy-Lever?RAUL - Do tempo que eu fazia jingle também. Só que eu fazia jingle rock e ele fazia jingle bossa-nova. A gente se conhecia, 59, 60 por aí.O PASQUIM - Depois desse contato, como é que foi ficando? Distante?RAUL - Era uma coisa lá e outra aqui. Nós tínhamos um lugar, o cinema Roma, onde a gente promovia shows de rock.O PASQUIM - Bossa-nova não?RAUL - Bossa-nova era no teatro Vila Velha. Era uma coisa bem separada mesmo. Existia um conjunto lá, a Orquestra de Carlito, com Caetano e Gil. E existiam os Panteras. Duas coisas completamente diversas. Mas no fundo eu acho que estava todo mundo querendo chegar a mesma coisa, era só problema de linguagem.O PASQUIM - Raul, o pessoal que viu o show em São Paulo diz que, além da crítica leve que você fez ao Roberto Carlos, tinha uma crítica ao Caetano também.RAUL - Tinha não.O PASQUIM - E a crítica ao Roberto?RAUL - É uma brincadeira. Porque quando Ouro de Tolo saiu, tava saindo uma música do Roberto em que ele agradece ao Senhor pelas coisas recebidas. Ele disse que agradece, eu digo que eu devia agradecer. Foi isso que os caras pescaram.O PASQUIM - Você está a fim de ocupar a vaga de guru que o Caetano Veloso deixou?RAUL - Eu não sei se é isso, não. Acho que Caetano tá sabendo o que tá fazendo. Ele sabe exatamente.O PASQUIM - Caetano era guru ou não era?RAUL - Não... Eu acho que ele não assumiu esse negócio de guru. Eu acho que viram ele como uma tábua de salvação, as pessoas tavam precisando dele, tava na hora de um apoio. Então escolheram o Caetano.O PASQUIM - Ele ainda é o líder?RAUL - O que você acha?O PASQUIM - Eu acho que é. E você o que acha?RAUL - Eu acho que tanto Caetano como Gil, embora sendo trabalhos diferentes, são incríveis.O PASQUIM - Você falou sobre Caetano e Gil, falou sobre Jonh Lennon. E a sua influência do Bob Dylan?RAUL - Isso é engraçado, todo mundo fala sobre esse negócio do Bob Dylan. Eu gosto de Dylan, mas não foi uma coisa marcante.O PASQUIM - Ouro de Tolo tem uma influência.RAUL - A letra de Ouro de Tolo saiu antes da música. Veio a letra primeiro. Eu só podia dizer aquela monstruosidade de letra quase só falando. Então calhou. Aquela coisa de Dylan, falada, calhou.O PASQUIM - No ato de compor, o que vem primeiro na maioria dos casos, a letra ou a música?RAUL - Geralmente vêm juntas.O PASQUIM - Seu espetáculo é a aplaudido com um entusiasmo, digamos assim, com uma zorra total no teatro. Isso pode ser a força de seu recado. Um recado tão forte que o pessoal quer aplaudir, mas o recado ainda está um pouco na frente do momento. O que você acha?RAUL - Eu não vou dizer por mim, mas Paulo Coelho acha isso. Ele acha que as pessoas ainda estão em dúvida, estão com um certo receio, assustam um pouco.O PASQUIM - Raul, você falou sobre a sociedade. E outros planos para o futuro?RAUL - Eu já tô com o meu segundo LP na cabeça. É como um degrau. Eu dividi o trabalho em quatro fases, simbólicas, é claro, dentro daquilo que nós já falamos, de magicismo. Fase Terra, Fase Fogo, Fase Água e Fase Ar. Somente com a identificação. Essa fase fogo vai ser diferente dessa, dentro do mesmo tipo de música, mas não exatamente iê-iê-iê. É outra coisa, eu prefiro que seja surpresa. Vejam depois de pronto. Eu tô seguindo uma orientação geral, em que eu recebo e dou informações. Em todos os quatro cantos do mundo, a gente tá sempre recebendo, tá tendo informações. Essa outra fase é uma fase de escada mesmo. Um lugar que você vai chegando gradativamente, sabendo aos poucos.O PASQUIM - Basicamente que público você atinge?RAUL - Todas as classes. Isso é que é bom. Sabe por quê? Eles assimilaram Ouro de Tolo dentro de níveis diferentes, mas no fundo era a mesma coisa. O intelectual recebia de uma maneira, o operário de outra. Lá em casa tá acontecendo uma coisa muito engraçada. Atrás do edifício estão construindo um outro enorme, então os operários cantam o dia inteiro Ouro de Tolo, com versos que eles adaptam para a realidade deles. Eles transformam os versos, dizem: "Eu devia estar feliz por que eu ganho vinte cruzeiros por dia e o engenheiro desgraçado aí..." Eu ouço o dia inteiro eles cantando isso aí. E as cartas que eu recebi da revista POP, que fez uma transação aí, negócio de "Diga o que você acha da música Ouro de Tolo." Veio do Brasil inteiro. Fantásticas aquelas cartas, eu guardo um monte. Eu li essas cartas todas. Todo mundo entendeu, dentro de uma conotação própria, dentro de um nível diferente. Eu achei fantástico isso. Quer dizer que tá funcionando.O PASQUIM - Você tem algo a declarar para as novas gerações?RAUL - Não, é uma juventude sadia, alegre, satisfeita, feliz e contente. Comendo alpiste. Amém.
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Raul Seixas & Marcelo Nova - A Panela do Diabo [1989]

Lançado dois dias antes da morte de Raul, esse disco, feito em parceria com o também baiano Marcelo Nova, marca o fim de uma trajetória roquenrou, que após o grande sucesso, termina na melancolia da sarjeta fonográfica brasileira.A Panela do Diabo abre com Rauzito e Marceleza cantando juntos Be-bop-a-lula, uma vinheta em inglês composta por Vincent e Davis. Mas logo na seqüência a parceria baiana da as caras em Rock’n’roll, uma verdadeira canção de amor ao rock, onde ambos contam suas histórias e terminam com a declaração “...sinos da morte ainda não bateram para mim, e até chegar a minha hora eu vou com ele até o fim”.Na música Século XXI, eles demonstram o descontentamento com o destino e o fim injusto que Raul estava seguindo. “Se você correu, correu tanto e não chegou a lugar nenhum. Baby, bem-vindo ao século XXI”.Esse álbum também registrou a clássica balada Quando eu morri, escrita por Marcelo Nova e que ele mesmo canta sobre as dificuldades e ironias da vida. E a não menos importante Pastor João e a igreja invisível, uma crítica direta ao falso messianismo e o oportunismo sobre os fiéis.De todas as músicas a Banquete de lixo é a que mais representa o que Raul vivia no momento. “O hoje é apenas um furo no futuro, por onde o passado começa a jorrar. E eu aqui isolado, onde nada é perdoado, vi o fim chamando o princípio pra poderem se encontrar... Muitas mulheres eu amei e com tantas me casei, mas agora é Raul Seixas que Raul vai encarar... E assim torto de verdade com amor e com maldade um abraço e até outra vez”.Se hoje Raul é o personagem que atrai milhares de pessoas todos os anos, em 21 de agosto, no centro da cidade de São Paulo, com certeza não foi o mesmo que gravou a Panela do Diabo em 1989. Na época, esquecido e apoiado apenas pelo amigo Marcelo Nova, deixou sua última obra como o registro de seu final nada feliz.Fonte: http://www.donfernando.com.br/roquenrou/discos2.asp?cd=43Extraia o sumo: Raul Seixas & Marcelo Nova - A Panela do Diabo [1989]Ficha TécnicaDireção Artística - LiminhaÀ José Roberto AbrahãoGravado no Vice Versa SP, por Edu SantosMasterizado por Cacá LimaAssistentes - Guilherme e OséasMixado nas ‘Nuvens’, RJ por Dom Vitório‘O Governador’ FariasAssistente - Joca e MauroCorte - Paulo Torres, BMG AriolaFotos Capa - Dmimitri LeeProdução da Foto - Lays NegriniAgradecimentos - GovindaFotos Envelope - Ines SilvaCoordenação Gráfica - Silvia Panella & Henrique LisboaObrigado à Envergadura Moral Pela CompetênciaEenvergadura Moral - Johnny Chaves no TecladoCarlos Alberto Calasans - BaixoGustavo Mullem - GuitarraFranklin Paollilo - BateriaFaixas:1 Be-bop-a-lula(Vincent - Davis)2 Rock'n'roll(Raul Seixas - Marcelo Nova)3 Carpinteiro do universo(Raul Seixas - Marcelo Nova)4 Quando eu morri(Marcelo Nova)5 Banquete de lixo(Raul Seixas - Marcelo Nova)6 Pastor João e a Igreja Invisível(Raul Seixas - Marcelo Nova)7 Século XXI(Raul Seixas - Marcelo Nova)8 Nuit(Kika Seixas - Raul Seixas)9 Best seller(Raul Seixas - Marcelo Nova)10 Você roubou meu videocassete(Raul Seixas - Marcelo Nova)11 Caimbra no pé(Raul Seixas - Marcelo Nova) ****************************************************************************Meus passos não dou em vão;persigo os meus ideais...Posso ter desilusão:desesperança, jamais!(Thereza Costa Val/MG)
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Raul Seixas no programa do Jô Soares
Entrevista Concedida ao apresentador Jô Soares por ocasião do lançamento do LP a Panela do Diabo com Marcelo Nova.Jô - Eles cozinham na mesma panela: um é meio bruxo e nasceu há 10 mil anos, e o outro é seu companheiro e parceiro. Eu vou chamar Raul Seixas e Marcelo Nova.E aí Raul, como é que é o negócio: você é ele ontem ou Marcelo é você amanhã?Raul - (risadas) Eu estou muito satisfeito em trabalhar com Marcelo Nova. É uma pessoa que tem a mesma metafísica que eu.Jô - Quer dizer que cozinham realmente na mesma panela?Raul - Sim, na mesma panela.Jô - Marcelo, e você...é realmente Maluco por Beleza?Marcelo - Sim, claro. E é coisa gozada porque nós dois somos de Salvador. A gente não é da turma do dengo, mas somos baianos, somos baianos do outro lado.Raul - Não somos da turma do dengo. (risos)Marcelo - E nos anos 60, eu tinha 14 anos, Raul devia ter uns 20 e poucos anos, e ele tinha uma banda chamada Raulzito e os Panteras. E eu ia lá para a primeira fila assistir a história. E 20 e tantos anos depois a gente está cozinhando na mesma panela.Jô - Quais são as características principais de um Maluco Beleza, hein Raul?Raul - (risos) Isso foi nos anos 70. Eu era Maluco Beleza. Hoje em dia eu não falo muito, eu penso. Penso mais do que falo.Jô - Mas você acha que quando falava muito deu problema para você... falar muito nos anos 70?Raul - Deu muito problema para mim. Eu fui expulso do país.Jô - Em que ano você foi expulso?Raul - 74. Na época do Geisel.Jô - E foi pra onde?Raul - Nova Iorque. Encontrei John Lennon em Nova Iorque.Jô - E como foi tua barra em Nova Iorque? Como é que era a vida lá?Raul - Bem, eu estive com John Lennon quando ele estava separado da Yoko Ono num apartamento que ele alugou. O apartamento era grande. Eu fui com um cara do Cruzeiro. O segurança dele botou o cara para fora. Eu já tinha escrito cartas para ele falando da Sociedade Alternativa, e foi por este motivo que eu fui posto para fora do país. Queriam saber quem eram os donos da Sociedade quando era apenas uma música (risos). Fiquei três dias na casa de Lennon, conversamos sobre os donos do planeta Terra. As pessoas que fizeram a cabeça do Planeta Terra. Jesus Cristo, pessoas ilustres (risos).Jô - Pessoas altamente ilustres, né?Raul - Pessoas ilustres... E ele me perguntou quem é que tinha no Brasil de grande figura. Nós conversamos sobre Calígula, sobre todas essas pessoas incríveis e, quando ele perguntou do Brasil, eu não tinha ninguém para dizer! Aí disse Café Filho. Aquelas coisas quando a gente fica nervoso não sabe o que dizer (risos)...Jô - Imagine o John Lennon ouvindo isto... Coofee Filho??? (risos)Raul - É, eu disse "Não é nada, não".Jô - Raul, em Nova Iorque a barra chegou a pesar? O negócio do lixo. Como é que era esse negócio do lixo que você estava contando aqui?Raul - Ah! do lixo... Três horas da manhã eu me vi numa viela perdido em Nova Iorque e tinha um palhaço comendo lixo...Jô - Um palhaço!?!?Raul - É um palhaço muito bonito, bem vestido, comendo lixo. E ele me convidou assim (Rul faz um gesto cordial) para ir comer o lixo com ele. E eu comi o lixo com ele... (risos)Não... mas o lixo de Nova Iorque é gostoso!Jô - É um lixo comível?Raul - É um lixo comível. (risos)Jô - Você lembra o que é que tinha no lixo ou não?Raul - Catchup. (risos)Jô - Muito catchup! Agora, catchup no lixo não vira um pouco comida de vampiro, não Raul?Raul - Naquela época eu tinha que ser vampiro mesmo. (risos)Jô - O que pintasse?Raul - É, o que pintasse tava dando. Eu estava vivendo... sobrevivendo em New York.Jô - Eu me lembro de você fazendo um show, que eu fui assistir no Teatro Teresa Raquel. Era um show extraordinário...Raul - Em 73, né?Jô - Foi... 72... 73. Eu sei que tinha um lado muito moleque, muito irreverente. E você na época dizia coisas no palco sobre o disfarce do roqueiro que as outras pessoas não podiam dizer fora da música, né?Raul - Sim...Jô - Aliás, neste dia estava comigo meu amigo Paulo Pontes e ele me disse: "Esse rapaz diz uma porção de coisas que, se a gente quiser escrever numa peça de teatro, na hora é proibido".Raul - Eu sempre tive problema com a censura. Até hoje eu tenho 11 músicas censuradas, eles olham minha obra de cima para baixo. Sacodem para ver se sai alguma coisa.Jô - Mas até hoje isso continua?Raul - Até hoje. É uma coisa terrível!Jô - E o rock. O rock está vivo no Brasil? Como está a situação do rock, Raul?Raul - Para mim o rock'n'roll morreu em 59. Hoje em dia o que existe é um reflexo de nossa época, da nossa cultura.Jô - E como é que você chama a música que você faz hoje?Raul - Raulseixismo(risos).Jô - E o Marcelo? O Marcelo Nova está fazendo o que, Marcelonovismo ou Raulseixismo?Marcelo Nova - É, acho que a gente tem umas coisas de identificação que já vem desde essa época que eu comecei a falar. Quer dizer, naquela época eu ouvia Beatles, Rolling Stones, vinha tudo de outro continente, né? Aí eu descobri que existia um tal de Raulzito e uma banda Os Panteras. Eu vou lá ver, e aí me apareceu esta figura (aponta para Raul) vestida de couro e de topete. Eu olhei e disse: um dia quero ter uma Banda. Foi esse o primeiro contato ao vivo.Jô - Você queria ter o que? A banda ou o topete?Marcelo Nova - Os dois bicho... os dois. Tinha aquele negócio da cuspida do chiclete que era esteticamente importante. Naquela época era muito importante você usar a gola da camisa para cima e cuspir o chiclete.Jô - Mas por que importante?Marcelo Nova - Porque o pai da gente não fazia isso. O pai da gente tinha a gola assim (abaixa a gola) e não mascava. O mascar era um negócio muito complicado. Podia ser muito arriscado inclusive.Jô - Marcelo, agora que você falou este negócio de cuspir, eu olhei de repente para você e vi o Bob Cuspe, aquele personagem do Angeli.Marcelo Nova - Rapaz, sabe que quando eu comecei, durante um certo tempo no Camisa de Vênus, muita gente fazia esta comparação.Jô - Raul como é que aconteceu, você em Serra Pelada dando autográfo?Raul - Ah rapaz! Na hora do show me deu uma dor de barriga desgraçada (risos). Eu estava em Serra Pelada na casa de prostitutas, né?, que serve para alimentar a população de garimpeiros dali. Eu fui chamado para lá mesmo.Me levaram para um buraco para fazer minhas necessidades num buraco. Eu estava defecando e as pessoas me pedindo autográfos com um isqueiro aceso para eu enxergar o buraco(risos).Jô - Que situação hein, Raul?!? Agora sobre o novo disco... Vai ter a foto dos dois na capa, né?Raul - Vai ter nós dois.Jô - E vai chamar A Panela do Diabo, e os dois demoninhos cozinhando naquela panela.Marcelo Nova - É. Nós fomos tocar no interior de São Paulo, e o disco estava em andamento e não tinha nome ainda. Aí estávamos dentro do camarim esperando para subir no palco, veio uma pessoa com uns panfletos que estavam sendo distribuídos na entrada, alertando os jovens do perigo de assistir um show de Raul Seixas e Marcelo Nova porque nós éramos a encarnação do demônio. E fazia uma analogia com textos do Raul, Eu nasci há 10 mil anos atrás...Raul - Que eu vi Cristo ser crucificado. Eu era o diabo que estava ali no meio.Marcelo Nova - Pois é, e eu olhei para o Raul e disse: bicho, taí o nome do disco. Agora, mais do que nunca, vai se chamar A Panela do Diabo. São eles que querem.Jô - E vocês podem mostrar para a gente alguma coisa do disco novo?Marcelo Nova - É claro. Está aqui a Banda Envergadura Moral, que já acompanhou a gente em 43 shows.Jô - Então vamos lá: Raul Seixas, Marcelo Nova e a Envergadura Moral...
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Thursday, July 19, 2007

Raul Seixas - O Rebu [1974]
Escrita por Bráulio Pedroso e dirigida por Walter Avancini e Jardel Mello, O Rebu teve trilha assinada por Raul Seixas e Paulo Coelho. Uma das canções se tornou clássico do repertório do Maluco Beleza: Como Vovó Já Dizia, interpretada pelo próprio autor. Entre os outros temas, Planos de Papel (com Alcione, numa de suas primeiras gravações), Se o Rádio Não Toca (outro grande hit de Raulzito, aqui com Fábio), Porque (com Sonia Santos, hoje radicada nos Estados Unidos) e Água Viva (na voz de Raul). O score traz, ainda, Salve a Mocidade (de Luiz Reis, com Elza Soares) e Trambique (autoria e interpretação do compositor e pianista João Roberto Kelly) e um tema instrumental a cargo do violão de Roberto Menescal. No elenco, entre outros, Lima Duarte, Aracy Balabanian, Beth Mendes, Carlos Vereza e Ziembinski.
Extraia o sumo:
Raul Seixas - O Rebu [1974]
Faixas:
1 Como vovó já dizia(
Paulo Coelho - Raul Seixas)Interpretação: Raul Seixas2 Porque(Paulo Coelho - Raul Seixas)Interpretação: Sônia Santos3 Planos de papel(Raul Seixas)Interpretação: Alcione4 Catherine(Paulo Coelho)Interpretação: Orquestra Som Livre5 Murungando(Raul Seixas)Interpretação: Betinho6 O rebu(Paulo Coelho - Raul Seixas)Interpretação: Orquestra Som Livre7 Salve a Mocidade(Luiz Reis)Interpretação: Elza Soares8 Um som para Laio(Raul Seixas)Interpretação: Raul Seixas9 Se o rádio não toca(Paulo Coelho - Raul Seixas)Interpretação: Fábio10 Água viva(Paulo Coelho - Raul Seixas)Interpretação: Raul Seixas11 Tema dançante(Roberto Menescal)Interpretação: Orquestra Som Livre12 Vida a prestação(Paulo Coelho - Raul Seixas)Interpretação: Trama13 Senha(Paulo Coelho)Interpretação: Orquestra Som Livre14 Trambique(Adilson Manhães - João Roberto Kelly)Interpretação: Raul Seixas
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Wednesday, June 6, 2007

Raul Seixas - O Dia Em Que a Terra Parou [1978]
Ficha Técnica:
1978 Warner Discos
* Editora Warner Chappell BrasilTodas as músicas são compostas por: Raul Seixas- Claúdio Roberto Azeredo
Arranjos de base Raul Seixas - Miguel Cidras
Arranjos de orquestra Eric da Silva
Direção e coordenação Mazola
Direção Musical Raul Seixas
Técnicos de gravação Andy Mills- Humbero Gatica
Mixagem Mazola
Desenho de Capa Roberto Magalhães
Arte Final Ruth Freihof
Músicos de base: Bateria Pedrinho-Paulinho- Mamão- Luiz Carlos
Baixo Paulo Cesar Barros- Jamil Joanes -Liminha
Violão Helio Delmiro - Lee Ritenoir - Gilberto Gil - Jay Vaquer
Violão de 12 cordas Luiz Cláudio
Piano Miguel Cidras - José Roberto Beltrami
Guitarras Lee Ritenoir -José Paulo- Chiquito -Cláudio Stevenson - Jay Vaquer
Percussão Chico Batera - Djalma Correaagradecimentos: Antônio, Liminha, John d'Andrea, Andy, Jay, Humberto Gaticao arranjo da música "Que Luz É Essa" é de autoria de Gilberto Gilparticipação especial de Lee Ritenoir
Extraia o sumo:
Raul Seixas - O Dia Em Que a Terra Parou [1978]
Faixas:
1- TAPANACARA
2- MALUCO BELEZA
3- O DIA EM QUE A TERRA PAROU
4- NO FUNDO DO QUINTAL DA ESCOLA
5- EU QUERO MESMO
6- SAPATO 36
7- VOCE
8- SIM
9- QUE LUZ E ESSA?
10- DE CABEÇA PRA BAIXO
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Tuesday, May 29, 2007

Raul Seixas - Metrô Linha 743 [1984]

Ficha técnica:
1984 - Som Livre - Sigem Editores/ Warner Chappell* Direção artística Guto Graça Mello
* Direção de produçao Alexandre Agra
* Direção de gravação e mixagem Raul Seixas - Alexandre Agra
* Concepção Musical e visual Raul Seixas
* Engenheiro de gravação e mixagem Luis Paulo Martins (Po po)
* Assistentes Beto - Yara- Jorge Correa
*Direção de arte - fotos Felipe Taborda
* fotos do encarte Raul Rock Club
Agradecimentos: Carlos Horcades/ Felipe Fonseca
Participação de Kika Seixas em Mamãe Eu Não Queria e nos vocais de Canção do Vento
* Arranjos de base Chiquinho de Moraes - Raul Seixas menos em Mas, I Love You, Trem das Sete e Canção do Vento que são de Rick Ferreira.
Músicos convidados: guitarra/ pedal steel/ violão Rick Ferreira
* piano Chiquinho de Moraes
* baixo Paulo César Barros
* bateria Mamão - Jurim- Téo Lima
* teclados Ricardo Cristaldi
* sax Clive Stevens - Léo Gandelman - Zé Carlos
* trumpetes Márcio Montarroyos - Bidinho- Evaldo
* trombone Edmundo Maciel
* côro Ana Lúcia- Cecília- Nina- Jairo- Wilson- Heleno
Extraia o sumo:
Raul Seixas - Metrô Linha 743 [1984]
Faixas:
1 Metrô linha 743(
Raul Seixas)2 O Messias indeciso(Kika Seixas - Raul Seixas)3 Meu piano(Kika Seixas - Cláudio Roberto - Raul Seixas)4 Quero ser o homem que sou (dizendo a verdade)(Kika Seixas - Adilson Simeone - Raul Seixas)5 Canção do vento(Kika Seixas - Raul Seixas)6 Mamãe, eu não queria(Raul Seixas)7 Mas I love you (Pra ser feliz)(Rick Ferreira - Raul Seixas)8 Eu sou egoísta(Marcelo Motta - Raul Seixas)9 O trem das sete(Raul Seixas)10 Geração da luz(Kika Seixas - Raul Seixas)
Contribuição: Clóvis Cardoso
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Wednesday, May 2, 2007

Raul Seixas - Novo Aeon [1975]

Ficha Técnica:
1975/ Philips-PhonogramDireção de Produção Mazola
Técnicos Luigi- Jõao- Luiz Claúdio
AuxiIiares Técnicos Paulo Sérgio- Zé Guilherme
Mixagem Mazola
Arranjos Miguel Cidras
Arranjos de base Raul Seixas
Foto João Castrioto
Arte Final José Paulo
Capa Aldo Luiz
Músicos de base:
Bateria / Pedrinho- Mamão- Lécio
Baixo/ Paulo Cézar Barros- Jamil - Luizão- Lieberty
Piano/ Antônio Adolfo- Miguel Cidras - Hugo Belard
Violão/ Antenor- Raul Seixas- Neco- Rick
Guitarra/ Antenor -Gabriel -Rick -Almir-Pedrinho -Luiz Claúdio
Teclados / José Roberto
Extraia o sumo:
Raul Seixas - Novo Aeon [1975]
Faixas:
1
Tente outra vez(Paulo Coelho - Marcelo Motta - Raul Seixas)2 Rock do diabo(Paulo Coelho - Raul Seixas)3 A maçã(Paulo Coelho - Marcelo Motta - Raul Seixas)4 Eu sou egoista(Marcelo Motta - Raul Seixas)5 Caminhos(Paulo Coelho - Raul Seixas)6 Tu és o MDC da minha vida(Paulo Coelho - Raul Seixas)7 A verdade sobre a nostalgia(Paulo Coelho - Raul Seixas)8 Para nóia(Raul Seixas)9 Peixuxa (O amiguinho dos peixes)(Marcelo Motta - Raul Seixas)10 É fim de mês(Raul Seixas)11 Sunseed(Spacey Glow - Raul Seixas)Participação: Spacey Glow12 Caminho II(Paulo Coelho - Eládio Gilbraz - Raul Seixas)13 Novo Aeon(Cláudio Roberto - Marcelo Motta - Raul Seixas)
Seja membro da comunidade Som Barato no Orkut e participe da nova enquete
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=28240305"A força dos amigos é importante quanto o sol"
Zé Geraldo
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Sunday, April 1, 2007

Raul Seixas - Gita [1974]
Ficha Técnica / 1974/Philips -PhonogramDireção de Produção MazolaAssistente TolbiTécnicos Ary, Luigi, João, Luis ClaudioMixagem MazolaOrquestração Miguel CidrasArranjos de base Raul SeixasCorte Joaquim FigueiraMúsicos da base :Guitarras/Luis Claúdio- Ricki Ferreira-Raul Seixas- Tony Osanah- AlexandreBaixo / Alexandre- Luizão- Ivan- Sérgio Barroso- Juan Roberto Capobianco- Paulo César BarrosBateria / Mamão- Paulinho- GustavoTeclados/ Piano Zé Roberto- Miguel Cidras- Gay VaquerViolão Acústico / Raul Seixas- Neco- Toni Osanah.Extraia o sumo: Raul Seixas - Gita [1974]
Faixas:
1- Super Heróis - (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
2- Medo da Chuva - (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
3- As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor - (Raul Seixas)
4- Água Viva - (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
5- Moleque \Maravilhoso - (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
6- Sessão das 10 - (Raulzito)
7- Sociedade Alternativa - (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
8- O Trem das Sete - (Raul Seixas)
9- S O S - (Raul Seixas)
10- Prelúdio - (Raul Seixas)
11- Loteria de Babilônia - (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
12- Gita - (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
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Raulzito e os Panteras [1968]

Ficha Técnica /1968 / Emi OdeonDiretor de Produção Milton Miranda
Direção Musical Lyrio Panicali
Arranjos Maestro Orlando Silveira
Técnicos Jorge Teixeira- Nivaldo
Engenheiro de Som Z.J.Merky
Foto Mafra
Lay Out Moacyr Rocha
Arranjos de base Raulzito e os Panteras
Músicos:
Vocal Raulzito
Apoio vocal Eládio - Mariano
Guitarras Raulzito - Eládio
Baixo Mariano
Bateria Carleba
Trem 103- Lembra um folk-song americano , principalmente a parte do estribilho, que é partilhado com a segunda voz de Mariano, o contrabaixo do grupo
Pra Quê? Por quê - Fala do agnosticismo e por isso mesmo nada se tem a dizer: sòmente que a música e a letra são lindas
Brincadeira- esta página vem atingir em cheio o gôsto do público. A segunda parte da música é interessante pelo encontro das três vozes seguindo a mesma harmonia, mudando porém, o tempo e as notas do acorde
Extraia o sumo:
Raulzito e os Panteras [1968]
Faixas:
1- Brincadeira - ( Mariano)
2- Por Quê? Prá Quê? - (Eládio)
3- Um minuto Mais ( I Will) - (Dick Glasser /versão Raulzito)
4- Vera Verinha - (Raulzito - Eládio)
5- Você Ainda Pode Sonhar (Lucy In The Sky With Dimonds) - (Lennon- McCartney versão Raulzito)
6- Menina de Amaralina - (Raulzito)
7- Triste Mundo - (Mariano)
8- Dá-Me Tua Mão - ( Raulzito)
9- Alice Maria - (Raulzito-Eládio- Mariano)
10- Me Deixa Em Paz - (Mariano- Raulzito-Carleba)
11- Trem 103 - (Raulzito)
12- O Dorminhoco - (Carleba- Eládio - Raulzito)
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Saturday, March 31, 2007

Raul Seixas - Krig-ha, Bandolo ! [1973]

Profeta do apocalipse, louco, místico fundamentalista, parceiro de extra terrestres... aparentemente qualquer pessoa com essas tendências seria vista pela sociedade com uma certa reserva, mas quando ela mistura tudo isso num caldeirão e transforma essas idéias em uma música da melhor qualidade, numa levada rock com pitadas de musica popular tradicional, aí todos param para investigar o que quer dizer aquele sujeito que funde ritmos e sons com uma mensagem esotérica nitidamente fora dos padrões, não deixando que ninguém fique indiferente e saiam por aí cantando suas canções, mesmo que não a entendam.Alias não era para entender mesmo. Isso viria com o tempo, amadureceria depois de sua partida para carpir no universo suas mensagens e torná-las imortais, pelo menos no planeta Brasil onde já sabe que o único artista parido em suas terras que ousou misturar rock, baião e xaxado, foi um baiano de Salvador, fã de Elvis Presley e que viu no sertão nordestino a figura do Rei do Rock e sua música personificadas em uma célula rítmica descoberta por um senhor de Exu, que tocava sanfona, falava bonito, compunha e cantava do mesmo jeito, pois sim, só mesmo um baiano retado e porreta que poderia definir Luiz Gonzaga como o Elvis Presley do Sertão. E ele como se definia? Raul? Raulzito? Não importa! Aqui ele será Raul Seixas, aquele que enxergou aonde ninguém havia visto horizonte, o profeta da música popular brasileira cujas idéias permanecem no inconsciente de muita gente. Um dia ainda garoto e franzino saiu da Bahia e tomou o rumo do Rio de Janeiro, já era artista em sua terra, tornou-se produtor de discos na gravadora CBS e no VII Festival Internacional da Canção surpreendeu a platéia com Let me sing, let me sing, letra e musica inusitada para os padrões tradicionais da massa tupiniquim. No mesmo ano, 1972, conhece um poeta chamado Paulo Coelho que participava do movimento hippie e que havia fundado uma revista denominada 2001 onde não faltavam alusões a física, discos voadores e a ideologia do mago inglês Aleister Crowley, sintonia perfeita, estava feita a parceria.Em 1973 o baiano lança a música Ouro de tolo, letra e música de sua autoria, radiografando com muito sarcasmo e irreverência o país da ditadura, êxito absoluto, todos a cantam e ninguém mais permanece indiferente nem disposto a ficar "com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar". Faltava o LP, a consagração final, e depois de reunir algumas canções feitas com Paulo Coelho e outras sozinho, incluindo também o sucesso Ouro de tolo, parte para a realização do disco a convite da Phonogram responsável pelo selo Philips. O LP sai em junho de 1973 e transforma-se num grande sucesso com uma introdução e dez músicas que ouvidas em seqüência trazem uma filosofia poética jamais vista na música popular brasileira, a começar pelo título do álbum, Krig-ha, Bandolo! que era o nome de uma fundação criada por Raul que propunha um novo tipo de vida, a Sociedade Alternativa. Krig-ha, era também o grito de guerra de Tarzan, que significa, cuidado!.Algumas pessoas dizem que os clássicos populares são construídos sem essa pretensão, é certo que ninguém pode prever o destino de uma música, ela pode muito bem ser um sucesso momentâneo e depois permanecer esquecida, outras, porém, ficam como referencias, e criam chavões que são assimilados pela população, quem por exemplo já não disse que era uma Metamorfose ambulante? certamente muitas pessoas, e para saber como é estar neste estado de espírito basta ouvir a música no disco. E o imperador romano Julio César, Al Capone, Lampião, Jesus Cristo, Jimmy Hendrix e Frank Sinatra, alguém ousaria misturá-los? Pois Raul Seixas ousou e o fez e com sabedoria numa típica levada estilo rock and roll.Ainda temos o perfil autobiográfico do compositor em Rockixe numa fusão de rock e grande orquestra de metais como nos tempos da brilhantina, a irreverência maior em Mosca na sopa, o lirismo explicito em How could I know e em A hora do trem passar, as previsões apocalípticas em Dentadura postiça, a balada em Cachorro urubu e, em As minas do Rei Salomão o rock brasileiro country Jovem Guarda e universal.Queiram os críticos mais ortodoxos ou não este disco de Raul Seixas é histórico, básico e fundamental para a música popular brasileira, pois ele é único, irresistível e com mensagens atuais e permanentes. Ouvi-lo é um prazer constante! [fonte]
Ficha Técnica
Produção: Roberto Menescal
Diretores de produção: Mazola e Raul Seixas
Técnicos: Ary e Luigi
Auxiliar técnicos: Paulo Sergio e Luis Cláudio
Estúdio CBD
Corte: Joaquim Figueiras
Capa e contra-capa: Raul, Paulo, Edith, Aldo e Adalgisa Rios
Encarte: Adalgisa Rios
Músicos:
Baixo: Paulo Cézar Barros e Alexandre
Bateria: Pedrinho, Bill French e Mamão
Guitarra: Raul Seixas e Jay Vaquer
Piano: Miguel Cidras e José Roberto
Teclados: Luis Paulo e Miguel Cidras Rivas
Berimbau: Paulinho Batera
Banjo: José Menezes
Pandeiro: Mazola
Extraia o sumo:
Raul Seixas - Krig-ha, Bandolo ! [1973]
Faixas:
01 - Introdução: Good rockin tonight (R. Brown)
02 - Mosca na sopa (Raul Seixas)
03 - Metamorfose ambulante (Raul Seixas)
04 - Dentadura postiça (Raul Seixas)
05 - As minas do Rei Salomão (Raul Seixas e Paulo Coelho)
06 - A hora do trem passar (Raul Seixas e Paulo Coelho)
07 - Al Capone (Raul Seixas e Paulo Coelho)
08 - How could I know (Raul Seixas)
09 - Rockixe (Raul Seixas e Paulo Coelho)
10 - Cachorro urubu (Raul Seixas e Paulo Coelho)
11 - Ouro de tolo (Raul Seixas)
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Thursday, March 15, 2007

Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Miriam Batucada & Edy Star - Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10 [1971]

Após gravar o disco Raulzito e os Panteras, Raul Seixas havia desistido de ser cantor e terminou a faculdade de direito, mas não conseguiu ficar longe da música. Foi trabalhar como produtor musical na CBS. Mas quando um rapaz magricelo chegou na gravadora para mostrar suas composições, Raul logo viu que o rapaz tinha talento e contratou-o para compor músicas para compactos de outros artistas.
Este artista era Sergio Sampaio. Após produzir vários compactos de Sergio Sampaio e outros artistas como Trio Ternura cantando músicas de Sampaio.Raul aproveitou a viagem do diretor da gravadora para lançar um disco inovador. Este disco é a Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez e foi lançado em 1971. Mas quando o diretor da gravadora voltou de viagem, recolheu das lojas todas as cópias do disco.O disco ficou anos perdido nos arquivos da CBS para ser relançado direto em CD para uma geração de fãs. O lançamento não-autorizado do disco causou a demissão de Raul da CBS, e graças a este disco Raul recebeu o incentivo que faltava para retomar sua carreira de artista.
Segundo os testemunhos da época, Raul chamou até o porteiro do prédio da CBS para participar das gravações, que ocorreram num tom de festa. Para as gravações deste disco, Raul Seixas e Sergio Sampaio decidiram que teriam de ter mais parceiros. Uma voz feminina e mais um cantor foram selecionados, Miriam Batucada fazia sucesso nas suas apresentações na televisão, onde mostrava maestria batucando numa caixinha de fósforos e demonstrando uma malandragem carioca bastante peculiar. Seu contraponto seria uma figura folclórica do Rio de Janeiro da época, Edy Star.
Ele era um cantor de boate, afetadíssimo, que se apresentava entre plumas e paetês.A única canção regravada, anos mais tarde, por Raul Seixas, foi Sessão das dez, que fora interpretada por Edy Star. Gilberto Gil fez a canção Edith Cooper baseada em Edy, que anos depois lançou um disco solo sem repercussão alguma. Miriam Batucada também lançou compactos e um disco solo, sem nenhum alcance na mídia. Sergio Sampaio se transformara na grande promessa da música popular com sua canção Eu quero é botar meu bloco na rua, mas não agüentou a pressão do sucesso e morreu no ostracismo. Raul Seixas firmou uma carreira de sucessos, mas nunca repetiu a irreverência deste disco.
extraia o sumo:
Raul Seixas, Sérgio Sampaio, Miriam Batucada & Edy Star - Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das 10 [1971]
Faixas:
01- Êta vida (Raul Seixas - Sergio Sampaio)
02- Sessão das 10 (Raul Seixas)
03- Eu vou botar pra ferver (Raul Seixas)
04- Eu acho graça (Sergio Sampaio)
05- Chorinho inconseqüente (Erivaldo Santos - Sergio Sampaio)
06- Quero ir (Raul Seixas - Sergio Sampaio)
07- Soul tabarôa (Jocafi - Antônio Carlos)
08- Todo mundo está feliz (Sergio Sampaio)
09- Aos trancos e barrancos (Raul Seixas)
10- Eu não quero dizer nada (Sergio Sampaio)
11- Dr. Paxeco (Raul Seixas)
12- Finale (Vinheta)
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Tuesday, January 30, 2007

Raul Seixas - Carimbador maluco[1983]
Raul dos Santos Seixas nasceu em Salvador BA em 28 de Junho de 1945. Sua grande influência foi o rock-and-roll da década de 1950, que ouviu muito nos discos emprestados pelos vizinhos, funcionários do consulado norte-americano em Salvador. Aos 12 anos fundou o conjunto The Panthers (mais tarde Os Panteras), primeiro grupo de rock de Salvador a usar instrumentos elétricos, passando a tocar em cidades do interior baiano. Começou a estudar direito, mas abandonou o curso para se dedicar a música. Em 1967, Jerry Adriani apresentou-se ao vivo em Salvador, acompanhado pelos Panteras, e se entusiasmou com o grupo, convencendo-os a se mudarem para o Rio de Janeiro RJ, onde gravaram pela Odeon (mais tarde EMI) seu primeiro disco LP, Raulzito e os Panteras. De 1968 a 1972 trabalhou como produtor da CBS. Produziu e lançou, em 1971, o LP Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta sessão das dez, com músicas de sua autoria e em parceria com Sérgio Sampaio, tendo ambos como interpretes ao lado de Míriam Batucada e Edy Star. Apresentou-se no VII FIC (transmitido pela TV Globo) em 1972, com duas músicas, Let Me Sing, Let Me Sing e Eu sou eu, Nicuri e o diabo. Contratado em 1972 pela Philips, gravou o LP Os 24 grandes sucessos da era do rock, no qual aparecia creditado apenas como produtor e arranjador (em 1975, com Raul já famoso, este LP seria relançado com seu nome e novo título, 20 anos de rock).Morreu em São Paulo em L21 de Agosto de 1989.[fonte]extraia o sumo: download Raul Seixas - carimbador maluco[1983]1. D.D.i. - (Discagem Direta Interestelar) (Raul Seixas / Kika Seixas)2. Coisas do Coração - (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)3. Coração Noturno - (Raul Seixas / Kika Seixas / Raul Varella Seixas)4. Não Fôsse O Cabral - (Penniman / Bocage / Collins / Smith) versão para Slippin' and Slidin' de: Raul Seixas.5. Quero Mais - (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)6. Lua Cheia - (Raul Seixas)7. Carimbador Maluco - (Raul Seixas)8. SegrEdo da Luz - (Raul Seixas / Kika Seixas)9. Aquela Coisa - (Raul Seixas / Kika Seixas / Cláudio Roberto)10. Eu Sou Eu, Nicurí É O Diabo - (Raul Seixas)11. Capim Guiné - (Raul Seixas / Wilson Aragão)12. Babilina - (Vicent / Davis) versão de: Raul Seixas)13. So Glad You're Mine - (Arthur Big Boy Crudup)


Origem do documento:
http://sombarato.blogspot.com/search/label/Raul%20Seixas


Muito bom este blog Som Barato !!! Beleza Abraço!

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