11 de abr de 2010

Entrevistas: César Di - O rendendor dos Músicos artistas do Brasil!!!

César Di

Por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa

ritmomelodia@hotmail.com

O cantor, compositor e violonista mineiro César Di segue a linha cantador – profeta – pensador que canta suas próprias idéias, tudo resguardando suas devidas proporções.

O jovem músico traz nas letras de suas canções preocupações e reflexões antigas e algumas quase seculares. Não à toa suas influencias musicais são: Raul Seixas, Zé Ramalho e Zé Geraldo que traziam nos seus primeiros discos inquietude que faziam as pessoas pensarem na vida, na morte, na política, nos costumes, na religião e na magia. O César também usa suas músicas como veículo para passar a sua mensagem, suas idéias e seu jeito de ver o mundo. Ou seja, um artista jovem com formato musical muito apreciado nos anos 60 e 70. Há duas décadas a música popular brasileira caminha só com a função de entretenimento e nos piores como produto descartável sem preocupação cultural nem de transformação social. Então, um jovem ressuscitar esse formato é colocar a cara para bater dentro de um mercado musical que toca mais músicas para a multidão dançar (Axé music, Funk pornográfico, Sertanejos melodramáticos e forró com tema de corno, cachaça e sacanagens). O César gostar de escrever e tem trabalhos publicados em três livros lançados pela editora "Casa do Novo Autor", dois deles lançados na XVI Bienal Internacional de São Paulo. Esse mineiro do interior chegou a São Paulo em 1992 com sonho de ser mais um cantor sertanejo famoso. Mas a realidade lhe mostrou que a viola tocava em outra afinação. Aqui ele conheceu outros horizontes musicais e novos parceiros. E gravou dois CDs ainda sem experiência. E no seu terceiro CD - "Ebulição de Idéias", gravado nos estúdios Curumim e Mor, começou fortalecer seu caráter musical.

O CD produzido pelo próprio César e pelo amigo e produtor Alisson Mor, conta com a participação de uma de suas influências, o conterrâneo Zé Geraldo e a participação de uma recente revelação da música brasileira: Arleno Farias cantando com César “Essência Oculta”, música que fez parte da trilha sonora do filme “São Paulo de Uauá” do cineasta Hermano Penna, que foi exibido pela TV cultura em maio de 2006. O CD traz ainda uma canção feita em homenagem ao grande maluco beleza: Raul Seixas. Segue abaixo entrevista exclusiva de César Di para a revista www.ritmomelodia.mus.br em 04/05/2009:

1-) Ritmo Melodia – Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

César Di - Eu Nasci no dia 24 de dezembro de 1974 em uma minúscula comunidade de camponeses chamada de “Córrego da Boa Sorte” no Município de Inhapim – MG (uma cidade que fica na Zona do Vale do Rio Doce, próxima de Caratinga, no, sudeste oriental do estado de Minas Gerais), aproximadamente 300 km de Belo Horizonte.

2-) RM – Fale do seu primeiro contato com a música?

CD - Eu tive um contato muito cedo com a música. Eu nasci e me criei no “interiorzão” de Minas Gerais e meu pai sempre teve instrumentos musicais. Ele tinha um cavaquinho, em que tocava o Calango mineiro (que é uma manifestação musical e poética ancestral da roça mineira, era uma forma de repente). Ele tinha sanfona, violão... Assim, eu naturalmente fui me envolvendo com a música. Meu pai tinha um gravador (que na época era uma coisa raríssima), em que ele gravava: eu e meus irmãos cantando músicas conhecidas na época como: Fuscão Preto (Sucesso com Almir Rogério), Arapuca (sucesso com uma dupla chamada Solevante e Soleni), e muitas outras músicas caipiras. Aos nove anos me lembro que eu já tocava o Cavaquinho e aprendi a tocar a primeira música no Violão que ganhei do meu pai. Antes eu tocava na igreja e depois por causa de um primo que tocava e cantava (fazia grande sucesso na região), eu quis aprender a cantar e tocar as primeiras musicas com o violão na intenção de fazer igual à este meu primo (o Romildo), que hoje mora em Goiás - GO.

3-) RM – Qual sua formação musical e\ou acadêmica (Teórica)?

CD - Cheguei até porta da faculdade, mas não pude fazer o curso de Filosofia, tive que fazer uma escolha. Eu não tinha condições de pagar a faculdade e ao mesmo tempo me dedicar à música. Eu mergulhei nos livros, é de onde vem grande parte da minha formação cultural e intelectual. Estudei um pouco de violão, produção musical, música popular brasileira, rock. Estudo sobre antigas civilizações, filosofia, ocultismo, religiões, sedução, crescimento pessoal e muitas outras coisinhas... Mas sempre autodidata.

4-) RM – Quais suas influencias musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

CD - Eu fui criado no mato. Eu vivi toda minha infância e adolescência no interior. Privado de quase toda tecnologia existente. Não havia luz elétrica, televisão, chuveiro, hospital público. E a escola em que estudei os primeiros quatro anos do primário era em um "paiol" emprestado por um fazendeiro da região. O meu contato com o dito “mundo civilizado” quase que só era através do rádio. E minhas primeiras influências musicais foram os artistas que tocavam no rádio: Léo Canhoto e Robertinho (Último Julgamento), Duduca e Dalvan (Espinheira), e muitos outros cantores caipiras. Fui influenciado também por cantores e cânticos que eu ouvia na igreja, principalmente Padre Zezinho com suas Poesias-canções-histórias. E, fui influenciado pelo meu primo e por outros malucos que apareciam lá na roça!

No final da década de 80 e inicio dos anos 90 houve a explosão da música melodramática (“Sertaneja”). Eu, adolescente inocente, puro e besta (como disse Raul Seixas) me envolvi neste universo fantasioso. Na Roça, só tocava essas músicas no rádio e eu passei a só tocar também nas cantorias que eu participava. O negócio ficou tão forte que eu resolvi que tinha que ir embora para São Paulo para também explodir no Brasil inteiro (risos). Chegando aqui que pude descobrir que eu era mais um, dos milhares de brasileiros que viviam e alguns ainda vivem iludidos com esta estrutura montada pra vender um produto, um artista. Antes eu pensava que só existia a musicalidade que o rádio tocava, mas em São Paulo é que pude ter acesso a toda a amplitude do universo das artes. Comecei a pesquisar e ouvir de tudo. Conheci o som de Zé Geraldo, Raul Seixas, Zé Ramalho, Pink Floyd, Tom Zé. E muitos artistas e movimentos que me influenciaram, me deram coragem para fazer a música que faço hoje. Eu posso dizer que sou um artista influenciado pela minha essência interiorana, pela literatura, pela Vida, pela natureza, o ar, as energias positivas, as pessoas, o autoconhecimento, a mulher, a magia, a prosperidade, Bob Dylan, Raul Seixas, Zé Geraldo, Zé Ramalho. Pela música de conteúdo, pelos pensadores, pelas idéias!

5-) RM – Quando, como e onde você começou sua carreira profissional?

CD - Comecei em 2001 após desfazer uma banda “Os Interplanetárius”, que tentei montar na periferia de São Paulo. Eu decidi gravar o meu primeiro CD - “Parceria”. Esse CD foi em parceria com um amigo, músico baiano Nininho de Uauá, cada um cantava uma música e a última música nós cantamos juntos. Umas cantando uma mue gravei com um amigo, o Nininho na verdade uma parceria cAA gravação totalmente independente e inusitada. Nós tínhamos nenhuma experiência profissional com estúdio. E o estúdio em que gravamos nunca havia gravado ninguém e o produtor musical Alisson Mor, que era o do estúdio nunca havia produzido ninguém. O Jorge Luis que fez a capa do CD tinha feito nenhuma capa (risos) Assim foi o meu início profissional! Foi na marretada, na martelada (risos). Lasquei-me bastante, mas tive a oportunidade de participar ativamente de tudo. E de aprender a fazer de tudo, desde gravar violão, arranjar, produzir, mixar e tudo mais que envolve uma produção musical!

6-) RM – Fale do seu primeiro CD (músicos que participaram nas gravações).? Qual o perfil musical do CD? E quais as musicas que estão entrando no gosto do seu público?

CD - O meu primeiro CD já falei na pergunta acima. Na verdade eu já gravei três CDs. Os dois primeiros: “Parceria” e “O Enigma”. Eu considero como trabalhos experimentais, neles eu procurei aprimorar e segmentar o meu estilo musical. O terceiro CD chama-se “Ebulição de Idéias”. Eu considero como o primeiro CD em termos de condições de atingir o mercado fonográfico. Foi gravado nos estúdios Curumim e Mor - SP. Produzido por mim, e pelo meu amigo e produtor Alisson Mor (agora nós dois com muiiiito mais experiência). As condições são outras, tudo melhorou muiiiiito (risos). No primeiro CD o estúdio não tinha nem tratamento acústico e o microfone era da marca Leson amarrado num cabo de vassoura (risos).

No CD “Ebulição de Idéias” tem a participação do grande artista e meu conterrâneo: Zé Geraldo na Música S.O.S. E do cantor e compositor potiguar Arleno Farias, cantando comigo a canção Essência Oculta (música que fez parte da trilha sonora do filme São Paulo de Uauá, do grande cineasta Hermano Penna. O filme foi primeiro lugar entre os 820 projetos inscritos no concurso DOCTV de 2005. E foi exibido por duas vezes pela TV cultura em 2006). O CD traz ainda uma canção feita em homenagem ao grande maluco beleza: Raul Seixas. É um trabalho que tem todas as onze faixas compostas por mim. Sendo uma delas feita em parceria com o músico Nininho de Uauá. Toquei o violão em todas as faixas, trabalhei nos arranjos e na parte estética. O Carlinhos de Lia (um grande baixista que toca com o mestre Dominguinhos e outras feras da música brasileira) gravou os contrabaixos. Teve participações de dois tecladistas: Alisson e Douglas. Teve o grande Jean Trad (guitarrista que toca a mais de 20 anos com o mestre Zé Geraldo). É um CD em que me apresento de uma forma integral. Considero-o como um trabalho bastante coeso, maduro. Um CD que trouxe muitas alegrias, que abriu muitas portas e aumentou muito o meu público! Dá-me orgulho de falar sobre ele porque o considero como bastante relevante dentro do mercado fonográfico atual.

Defini-lo. Penso como sendo um CD de MPBROCK. E as músicas que estão caindo no gosto do público? Na verdade o CD como um “todo” teve uma aceitação muito boa. É um CD que difere, diverge bastante do que está ocorrendo no mercado fonográfico atual. Penso que as pessoas estão vendo neste meu trabalho uma possibilidade de seguimento ou até de uma renovação numa linha que parece que já estava se perdendo ou sendo deixada de lado por vários motivos.

Eu não fiz a música tal, exclusivamente para ser tocada no rádio (não que eu não queira que toque, entende?). Eu fiz um CD falando sobre minhas preocupações, meus problemas, sobre o meu mundo e como eu vejo o mundo. E pensando em trazer além de alegria e diversão, um pouco de inquietação, de discórdia e reflexão para um público e para um mercado que se acostumou muito com uma música de conteúdo restrito. E com um conformismo monotemático quase sempre com uma predestinação romantizada e uma overdose de alegria, pra mim muito inquietante. Mas posso sim, também dizer que tem algumas canções que o público tem mais facilidade de assimilação como: “Um Canto para Raul” que é uma homenagem ao grande Raul Seixas. E a todos os grandes malucos que fizeram e continuam fazendo a história, inclusive a todos nós simples mortais que temos coragem de construir nossa própria história ao invés de vivermos sempre sob o jugo de alguém ou de tudo que a mídia ou qualquer outro setor da sociedade nos apresenta. Tem também “O Prisma do teu Olhar” que mostra do que é capaz um par de olhos enfeitiçadores (risos). E “S.O.S” que eu canto com o Zé Geraldo.

7-) RM – Como você define seu estilo musical?

CD - Bom, já que o mercado exige (risos). Eu defino meu estilo como: MPBROCK, MPBROCKPOÉTICO. Ou poderia ser MPM (música popular do mundo – risos). Porque é uma música popular e de uma linguagem universal que pode ser assimilada, entendida em qualquer parte do mundo. Na música que eu faço não é o estilo, não é o ritmo, não é a harmonia sofisticada, não é o movimento ao qual ela pertence e não é nenhuma fusão que importa mais. O que importa mais no meu trabalho é o conteúdo, são as idéias e as inquietações que elas provocam. E as coisas que eu falo nas minhas canções são idéias universais, não dizem respeito só ao trabalhador da construção civil brasileira, ou só às prostitutas de Nova Iorque, ou só aos pobres ou só aos ricos, ou só aos cristãos ou só aos islamitas, entende? As coisas que eu falo dizem respeito a todo e qualquer ser humano, esteja ele sob quaisquer condições religiosas, sociais e esteja ele onde estiver na face do planeta terra.

8-) RM – Como é seu processo de compor?

CD - Eu sou um compositor quase que unilateral e de produção um pouco limitada. Um compositor de produtos de primeiras necessidades (risos). Ou seja, componho pra mim em primeiro lugar. Não componho muito por encomenda. As minhas composições são pensando no CD que eu vou gravar. Eu não me considero uma indústria de compor. Eu componho mais de acordo com as forças que me trazem as letras e as melodias. E isto não tem hora e nem lugares certos, pode acontecer a qualquer momento! Não que eu também já não tenha feito músicas pré-determinadas ou que não vá fazer. Já peguei um tema e trabalhei em cima até sair uma canção, mas como eu não vivo de fazer música pra outros gravarem, não tenho tanta necessidade de compor muitas canções. Então, não fico trabalhando tanto neste sentido. Aguardo pelos momentos em que me é soprado, que as energias me vêem e assim economizo meu tempo pra fazer outras coisas. Como tocar meus projetos e seguir com minhas leituras, minhas experiências, meus estudos, minhas observações e minhas conversas com os amigos!

9-) RM – Quais são seus principais parceiros musicais?

CD - Então, como eu já disse acima. Eu não tenho muitas composições, consequentemente eu não tenho muitos parceiros. Mas no CD - Ebulição de Idéias, tenho a canção “Essência Oculta” em parceria com Nininho de Uauá (acho que com ele tenho mais de cinco canções). Fiz algumas parcerias com músicas diferentes de meu estilo para outros artistas gravarem. Exemplo eu fiz a música Viola aquarela com meu grande camarada Alisson Mor e com o João Miranda (que é um compositor de música caipira). Esta música foi gravada pelo Alisson e pela dupla Lourenço e Lourival no CD e DVD históricos de 50 anos de carreira da dupla.

10-) RM – Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

CD – Os prós - É a liberdade para fazer as coisas do seu jeito. E não do jeito que a gravadora e os produtores querem. Mas se você é um artista que tem um estilo parecido ou igual aos que já estão no mercado e que não tem nenhuma noção de como as coisas funcionam, será muito difícil você conseguir se estabelecer como independente no começo de carreira. Mas, no meu caso ser independente na minha entrada no mercado fonográfico está sendo uma grande vantagem e um aprendizado fantástico. Sou muito feliz por não ter que dar satisfação a ninguém, a não ser ao público que está começando a acompanhar o meu trabalho. O sistema está viciado, as gravadoras não sabem mais projetar novos artistas. Os divulgadores não sabem trabalhar sem pagar o jabá. E os produtores tradicionais têm dificuldades de trabalharem com um artista que não tenha apelo midiático (como beleza física e música romantizada ou de uma letra mais banalizada) e com um trabalho mais fácil para o povo assimilar. Além de acharem difícil que uma música de um conteúdo mais edificante possa ser também ao mesmo tempo popular no sentido de atingir realmente o povo. Eu penso que ao povo está faltando mesmo é oportunidade de conhecerem ou verem veiculadas outras vertentes musicais. E acho que falta aos artistas de renome ter a coragem pra romperem com os velhos arreios das grandes companhias. E aos novos artistas que são vítimas de sua vaidade, a vontade de fazer sucesso rapidamente, aparecer na TV. E querem a qualquer custo chegarem às grandes gravadoras porque acreditam que assim estarão garantidos como novos ídolos do Brasil! E aí forma o círculo vicioso que mantém a mesmice do mercado. Como diria Raulzito: falta cultura pra cuspir na estrutura! E aí está o X da questão.

O público acostumou-se muito com o que as grandes gravadoras empurravam de cima pra baixo, mas tudo tem um limite, estava na cara que o povo se enfastiaria de tanta coisa sem nenhum fundamento e iria começar a desconfiar dos produtos destas empresas massificadoras. É como você pegar uma criança de três anos de idade querendo comer doce e você ir dando o doce. É evidente que ela, se não passar mal, pelo menos chegará uma hora que não vai querer nem ver doce pela sua frente. É nesse ponto para mim o “Calcanhar de Aquiles” da indústria fonográfica. Um dos principais motivos para sua derrocada e não outros motivos que se apregoa como a pirataria. Como eu não tenho nenhuma ligação com as majors ou com os esquemas tradicionais, não corro o risco de ser taxado como mais um empurrado de cima pra baixo, mais uma jogada de marketing do mercado fonográfico. O público passa a ter um maior respeito por mim e pelo meu trabalho quando descobrem que sou independente. E não corro o risco que me vejam com esta desconfiança neste momento em que estou entrando no mercado.

Os contras - São muitos porque você não tem uma estrutura que possibilite fazer com que suas músicas cheguem aos ouvidos do povo. Mas estamos vivendo novos tempos e a internet é só mais um dos novos meios de se divulgar e se firmar como artista. Aí é uma questão de talento, inteligência, estratégia e de trabalho.

11-) RM – Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

CD - Dentro da minha proposta musical não surgiu ninguém nos últimos 20 anos. Não estou dizendo que sou melhor nem pior que ninguém. Mas dentro do que eu faço não apareceu ninguém nesse período. O Cazuza é o que mais a minha proposta se aproxima (mesmo sendo ainda muito diferente). Surgiram grandes artistas como: Zeca Baleiro, Lenine e Chico César, mas as propostas musicais são bastante diferentes da minha.

Quem regrediu? Eu não tenho tido tempo e ainda não pensei sobre isto. Mas o cenário musical brasileiro sempre foi, é e sempre será maravilhoso! São infinitas as coisas boas que existem. O problema não está no cenário e sim no mercado. Quem está em crise é o mercado fonográfico e não o cenário musical brasileiro que é com toda certeza um dos mais férteis do mundo! E sobre o mercado brasileiro eu vou gravar uma música: “A Saga Cesardiana no País do Jabaculê” no meu próximo CD. Deixo aqui a letra. Acho que dá pra se ter uma noção de como eu me vejo dentro dele.



“A Saga Cesardiana no País do Jabaculê”

César Di.



Eu já li os sertões de Euclides da Cunha

Já li Kafka, a bíblia, Machado de Assis

Mas aprender sobre mim mesmo

Foi a maior das leituras que já fiz

E Ganhei um grande presente da vida

Faço história, sou dono do meu nariz



Hoje eu vejo muitos bonecos

Cantando com voz de bezerro desmamado

Fazendo careta , se espremendo

Como se estivessem com os testículos esmagados

Seguindo a cartilha de um sistema podre

E pregando um amor banalizado



Eu já estou de saco cheio de ver

Rock’n roll de guitarra sem atitude

São toneladas de estereótipos sem cérebros

Desesperados atrás da juventude

Onde está a verdade desta gente

Que Deus venha logo e nos ajude



Eu já naveguei pela internet

Já sei o que é byte, orkut, download,

Conheço o computador

Mas aprendi que a verdadeira evolução

É aquela que vem do interior

Capacidade de analisar a situação

Crescimento, cultura, essência, amor



Um outro dia na avenida central

Um camarada me indagou

Se eu não sou um artistazinho

Eu respondi que eu nunca quero ser um artisticuzão

Dominado pela incapacidade de um monte de cérebros mesquinhos

Eu não vou fazer putaria, troca-troca, jabá, romanticuzinho



Porque entra ritmo e sai estilo

E permanece a mesma composição

É dor de corno, chifre, erotismo, idéia sem conteúdo

Assassinato do senso crítico, masturbação

É a cultura do empurra goela abaixo

Futilidades, burrice, exploração



E eu já vou parando por aqui

Deixo meu abraço à todos que me querem bem

Que me desculpem aqueles a quem eu não elogiei

Quem sabe eu possa dizer no ano que vem

Porque eu não quero ser chamado de puxa-saco

Eu não sou advogado de ninguém!!!!!

12 – RM – Você se incomoda quando vêem semelhança do seu trabalho com o do Raul Seixas?

CD - Não, não me incomodo nenhum pouquinho. Porque acho que tenho um trabalho também consistente, não sou um aventureiro no mercado. E comparações são apenas mais uma coisa que acontece a todos os artistas (principalmente no começo de carreira). É muito comum e aconteceu inclusive com o próprio Raul. Com o passar do tempo o público vai assimilando o trabalho de quem realmente tem o que dizer e os oportunistas vão ficando pela beira da estrada. E as semelhanças realmente existem. Não como as pessoas pensam ao terem o primeiro contato com o meu trabalho. Porque muitos acham a voz parecida, mas eu particularmente não acho. Raul tinha um timbre bem mais agudo e com mais médio, atingia tons mais altos e forçava mais pra chegar a isto. Enquanto que a minha voz tem mais grave e é mais encorpada que a dele. Mas de qualquer forma esta é uma comparação inútil da minha parte, não leva a nada. A semelhança está no estilo, às idéias das letras são tiradas das mesmas fontes (literatura, textos e algumas experiências parecidas). Mas, Raul é um mito, é o maior, é uma das minhas referências e é referência pra muitos e muitos outros artistas. Pra mim é imortal. E eu não vejo problema nenhum em dizer que tenho nele, sim, uma grande referência. Assim como ele tinha suas referências como Beatles, Elvis Presley, Chuck Berry e Litlle Richard.

Mas minhas músicas são resultados das minhas leituras, das minhas observações e da minha própria vivência que foi muito difícil no começo. Além é claro dos sons que já ouvi e das minhas experiências pessoais! Digo sobre o meu começo difícil porque é justamente esta minha superação pessoal que me faz ter a certeza do que estou dizendo nas canções! Quando eu digo que você pode fazer a sua própria história, que todos podem melhorar de vida (espiritualmente, psicologicamente, financeiramente). Desenvolver todos os nossos sentidos, inclusive o sexto sentido. Eu não estou dizendo por que o Raul e meus outros ídolos disseram, mas sim porque eu passei por isso. Eu melhorei e continuo melhorando, estou conquistando o meu espaço na Música Popular Brasileira contra todas as estatísticas. Portanto eu uso minhas canções como um meio de aprendizagem e crescimento. Faço canções antes de tudo pra mim, como se fosse o meu analista. Se agradar a outras pessoas, muito bom. Mas se não agradar, já serviu em primeiro lugar pra mim.

E na verdade eu estou muito feliz com os fãs do Raul que estão agora passando a curtir o meu trabalho também. Acho que eles entendem que eu não sou uma continuação do Raul, até porque isto seria impossível (dado a sua grandeza e sua importância para a cultura brasileira). E sim, mais um artista que não tem medo de reverenciar o seu ídolo. E ainda alguém em quem eles podem confiar e esperar um trabalho consistente, autoral, autêntico, uma arte verdadeira, transparente, sem truques mercadológicos e sem máscara. E, que não é alienante e que traz questionamentos importantes (como foi o trabalho do nosso grande Raulzito). Digo isto com todo respeito porque Raul é o mestre! Agora, achar ruim quando o povo vê semelhanças no meu trabalho com o do Raul seria o mesmo que pedir ao povo para escutar Mozart e logo depois Beethoven e não gostar quando dissessem que acharam semelhanças entre eles. Sendo que os dois fazem música clássica, mesmo que cada um tenha suas marcas registradas (pelo menos aos ouvidos dos mais conhecedores do assunto).

13-) RM – Porque você optou por letras que abordam temais sociais e filosóficos?

CD - Quando tomei consciência que estaria entrando na música profissional. E quando vi que realmente já não ia ter mais volta, a primeira coisa que fiz foi fazer um pacto comigo mesmo. Escrevi em um papel e guardei pra que me servisse como um eterno lembrete. Vou colocar aqui o que eu escrevi: “Quero ser reconhecido pelo meu talento e pelo meu trabalho. E vou trabalhar com uma música de boa qualidade, que tenha apelo popular e comercial, mas sem ser vulgar, para que sirva para levar às pessoas além de alegria, também: educação, esperança, sonhos... Esta é uma causa minha, tenho que fazer uma música diferente”.

Por aí você vê não é?! Quero sim que minhas letras provoquem certa inquietude e que convidem as pessoas a pensar, refletir. Espero que além de diversão e alegria (que são fundamentais), tragam também possibilidades de edificação do ser humano. E espero que possam ajudar as pessoas de alguma forma a crescerem na vida. Sendo assim, acho que estou dando minha pequena contribuição para um mundo melhor. Sinto-me útil e feliz por ter uma causa pela qual possa contribuir para minha evolução e pela evolução das outras pessoas. Se eu vencesse e me tornasse um milionário da música (fazendo outro tipo de letra). E pudesse com o meu dinheiro contribuir para matar a fome no mundo. Mesmo assim eu não seria tão feliz, se minha música não estivesse contribuindo para o crescimento e evolução destas pessoas. Podemos ajudar as pessoas a descobrirem a origem de seus problemas para que assim elas possam procurar resolvê-los pelos seus próprios métodos. Eu não sou um intelectual, um letrado, um professor e não quero ser mestre de ninguém. Minha luta é pra que eu me torne mestre de mim mesmo. E que assim possa ser com as outras pessoas. Que elas possam perceber o quanto é possível melhorar, crescer e evoluir. Antes de acharem que toda a culpa pelos seus problemas está: nos outros, no padre, no pastor, no governo, no sistema, no mercado, na putaria, no puritanismo ou em qualquer outra coisa. Vamos assumir nossos problemas e lutar para nossa própria evolução. Existem os problemas sociais, políticos, estruturais. Claro que existem, mas podemos sim, apesar de tudo melhorar muito a nossa vida e o mundo que nos rodeia.

Quero deixar claro que eu não sou um fissurado, que fico o tempo todo com este discurso chato (risos). Todos nós temos que ser felizes, a vida é boa pra ser vivida. Temos sim, que ter consciência das coisas, mas não podemos deixar de sermos alegres, simpáticos, corteses, felizes enfim.

14-) RM – Qual ou quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

CD - O Zé Geraldo, o Zé Ramalho. Não que eu concorde com tudo que eles façam, mas são grandes exemplos.

15-) RM – Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical ?

CD - Já aconteceu de tudo (risos). No começinho, antes do meu primeiro CD, fui fazer uma apresentação em que eu iria cantar quatro músicas. Eu, por medo, insegurança, deficiências no som errei as letras das quatro músicas, mas dei sorte porque conseguia balbuciar qualquer coisa como se estivesse cantando corretamente e consegui sair vivo do palco (risos)

16-) RM – O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

CD - Até agora nada me deixou triste na carreira musical. Isto porque eu acho que descobri como funcionam as coisas. Sei aguardar o meu momento e não ficar me martirizando por não estar assim ou assado, entende? Aprendi que tenho que fazer meu dever de casa ao invés de colocar a culpa só na estrutura. E as coisas estão acontecendo, parece que tudo está seguindo um curso correto. Quando consigo algumas parcerias as coisas caminham um pouco mais rápidas. Se não, vou levando no meu ritmo, demoro um pouquinho mais, mas tenho certeza que estou no caminho certo e que já tenho conquistas muito importantes. Pra mim, o mais difícil para um artista é ele estar pronto (em todos os sentidos). O resto é conseqüência do trabalho, do grau de comprometimento e da criatividade de cada um. Se suas composições são boas, sua imagem está legal, seu CD está bem gravado, a capa está correta, o Release está bem feito, sua voz é agradável, suas idéias estão claras e de fácil compreensão, sua postura está de acordo com o seu trabalho, seu show está legal, sua entrevista está compreensível. Sua vida particular e financeira não estão desgovernadas. Se você não mete os pés pelas mãos, se sente seguro daquilo que se está fazendo e se tem consciência do seu talento. Então o negócio é não ter desespero e trabalhar porque mais cedo ou mais tarde as coisas vão acontecer em um âmbito mais confortável. Tudo é uma questão de tempo, portanto não há necessidade de pânico e tristeza.

17-) RM – Nos apresente a cena musical paulistana?

CD - Eu freqüentei muito os eventos em São Paulo, conhecia tudo, mas depois que coloquei meu projeto também em andamento não tenho tido muito tempo para acompanhar. São Paulo é uma cidade em que tudo e todos se encontram, se misturam e se fazem presentes. Temos grandes nomes da música brasileira que sempre tocam por aqui e muitos que ainda moram por aqui, como Zé Geraldo, Zeca Baleiro, Chico César e muitos outros. Mas têm muitas coisas acontecendo, como O Teatro mágico (trupe de artistas que proporciona um show em que você tem música, teatro, exibições circenses, um espetáculo que junta tudo numa coisa só, malabaristas, atores, cantores, poetas, palhaços, bailarinas). E que tem uma proposta independente que vale a pena prestar atenção.

18-) RM – Você acredita que sua música vai tocar nas rádios sem pagar o jabá?

CD - Neste primeiro momento não tenho trabalhado com a prioridade de fazer uma música minha tocar no rádio. Tenho trabalhado nesta fase no sentido de me consolidar como um novo artista. Alguém com relevância, uma nova ideologia, uma nova proposta, uma nova filosofia dentro do mercado fonográfico. Tenho certeza que chegará a hora em que as rádios vão se sentir pressionadas a tocarem as minhas canções. Mesmo que algumas rádios tenham que se manter por uma estrutura “jabazeira”. O povo também é levado em consideração. O povo pressiona, o povo pede. E aí a rádio fica numa situação difícil e acaba tendo que tocar. E como tenho mostrado o meu trabalho para o povo, faço música para o povo, sou do povo, sou o povo. E venho juntado uns “malucos” que estão curtindo o trabalho. O Brasil não é feito só dos grandes centros urbanos, onde é mais praticado a “Jabaculança”. O Brasil é um país enorme e com um interior maravilhoso, onde se há muito mais abertura para novos trabalhos e novos artistas. Tenho percorrido várias cidades do Brasil onde além de fazer shows é possível mostrar o trabalho e fazer toda mídia local. E isto dá um resultado muito bom. O problema é que muitos artistas ficam bitolados nas grandes capitais e se esquecem da grandeza do Brasil. O que eu não posso fazer é ficar esperando as coisas caírem do céu, vou atrás dos shows, das parcerias, das coisas que são possíveis. Se acontecer das músicas tocarem nas rádios, maravilha. Se não, vou continuar o meu trabalho assim como sempre foi.

19-) RM – O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

CD – Posso dizer que a primeira coisa é ter os pés no chão. Nada de ilusões e de sair metendo os pés pelas mãos (em todos os sentidos). Vou repetir aqui uma resposta que já dei: Pra mim, o mais difícil pra um artista é ele estar pronto (em todos os sentidos). O resto é conseqüência do trabalho, do grau de comprometimento e da criatividade de cada um. Se suas composições são boas, sua imagem está legal, seu CD está bem gravado, a capa está correta, o Release está bem feito, sua voz é agradável, suas idéias estão claras e de fácil compreensão, sua postura está de acordo com o seu trabalho, seu show está legal, sua entrevista está compreensível. Sua vida particular e financeira não estão desgovernadas. Se você não mete os pés pelas mãos, se realmente se sente seguro daquilo que se está fazendo e se tem consciência do seu talento. Então o negócio é não ter desespero e trabalhar, mais cedo ou mais tarde as coisas vão acontecer em um âmbito mais confortável. Tudo é uma questão de tempo, portanto não há necessidade de pânico e tristeza.

20-) RM – Quais os projetos futuros?

CD - Vou continuar o trabalho que estamos fazendo pela internet e quero levar o Show: “Ebulição de Idéias”(Principalmente através do Projeto “Cantando Idéias”, que é um trabalho que estamos desenvolvendo nas escolas e tem sido um grande sucesso de crítica e de público) ao máximo de lugares possíveis. Espero poder tocar em muitas cidades pelo Brasil. Agradeço essa revista que é um veículo da máxima importância para a Música Brasileira. Deixo um abraço especial para a galera do orkut, do youtube, do myspace e do palcomp3. Que tem espalhado de uma forma estrondosa o meu trabalho pelo Brasil e pelo mundo. Quem ainda não nos viu por lá é só digitar “César Di” tanto no youtube quanto no orkut, ou no myspace e dar uma conferida nos vídeos, nos shows, nas comunidades, no Fã Clube, enfim, em tudo.

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