11 de fev de 2008

ERIC BURDON - ENTREVISTA RARISSIMA !!! Entrevista feita em junho de 2005 - (Por Douglas Portari) !!!

ERIC BURDON -ENTREVISTA RARISSIMA !!!
Entrevista feita em junho de 2005 - (Por Douglas Portari) !!!
e não publicada por 'divergências editoriais inconciliáveis' !!!
Da série Esqueletos no Armário : Parte um!!!
Don't Let Me Be Misunderstood:

O homem está há quatro décadas nos Estados Unidos, mas ao atender o telefone seu sotaque britânico o denuncia. E sua voz - aos 64 anos - continua inconfundível. "Brazil?", diz e começa a cantarolar "tan taran tan tan taran tantan".Antes que eu possa perguntar se Aquarela do Brasil é tudo o que ele conhece de música brasileira, ele pede um segundo. Quando retorna, o assunto muda e, falha minha, esqueço do mulato inzoneiro e de Carmem Miranda.
Ele diz viver em uma "encruzilhada no deserto". Soa algo dramático, mas é verdade. O sujeito mora em um vilarejo a leste de Los Angeles, no meio do alto deserto da Califórnia. E onde mais viveria um animal?Ou, neste caso, um ex-animal: Eric Burdon. Um inglês franzino que descobriu uma voz ancestral ao ser expulso da aula de música por cantar alto demais. Outro garoto branco cuja vida ganhou cor ao conhecer o som negro vindo da América.Dos clubes de jazz de Newcastle ao rock da Swinging London, da psicodelia inglesa ao funk de São Francisco. The Animals, Eric Burdon and the Animals, War, carreira solo… as bandas e as fases ficam a critério dos fãs.
Tudo regado a blues. Blues e auto-destruição. Em uma segunda biografia, Don't Let Me Be Misunderstood, lançada entre 2001 e 2005 em vários países, Burdon mudou o tom no que diz respeito à morte do amigo Jimi Hendrix. "Eu sempre acreditei que fosse suicídio. Eu me enganei".E contrariando seu sentimento de impotência quanto ao que um músico pode fazer sobre os rumos do mundo, que, diz ele, o fizeram pensar até em criar uma camiseta com os dizeres "Now it's the time for old good men to shut the fuck up", ele falou. Em alto e bom som.
(Por Douglas Portari)



*Trechos de entrevista feita em junho de 2005 e não publicada por 'divergências editoriais inconciliáveis'


Depois de todos esses anos, você acha que foi mal interpretado?

Eric Burdon: Yeah, às vezes! (risos) Mas nem sempre. Há dezenas de pessoas que me entendem e eu gosto delas. Eu me sinto grato por elas. E quanto àquelas que não me entendem, bom, eu não me sinto infeliz por isso.

E por que uma segunda biografia? Não foi tudo dito em seu primeiro livro?

EB: Não, na verdade, não. Eu escrevi a primeira nos anos 1980 e muita coisa mudou desde então. A morte de Jimi Hendrix [1942-1970]... eu vejo que entendi tudo errado. Eu sempre acreditei que fosse suicídio [apoiado em um poema que o guitarrista deixou para ele na noite de sua morte]. Esse tempo já era e depois de conhecer o pai de Hendrix... eu voltei atrás e achei que se eu havia cometido um engano, não seria bom negar.

Então, eu reinvestiguei e encontrei muito mais material do que eu tinha em minha primeira biografia. Eu também fui procurado por um cara que estava fazendo uma biografia do Jimi para uma entrevista e disse 'olha, eu já fiz muitas entrevistas sobre Jimi e tudo mais e eu te dou a última se você me deixar ver tudo o que conseguiu sobre a namorada dele [a artista plástica alemã Monika Dannemann]. Assim, eu faço a entrevista.' Então, eu pude ver uma coisa que nunca chegou a mim antes, que era uma série de entrevistas, que foi encontrada, dessa mulher.


Eu me dei conta de que ela estava mentindo para encerrar o caso. E quando você percebe que alguém está mentindo isso vira as coisas de cabeça para baixo. Eu senti que tinha que revisitar essa história e esse período terrível porque eu tenho vivido com ele por muito tempo e isso precisava sair.


[No livro Scuse Me While I Kiss the Sky: The Life of Jimi Hendrix, o autor, David Henderson alega que Monika esteve envolvida na morte do guitarrista]Como acha que essa história vai terminar?

EB: Eu não acho que vá terminar. Eu acho que é como o próprio Jimi. Ele sempre quis fazer mistério a respeito de si mesmo. Se você imagina algo por muito tempo ou persegue algo durante muito tempo isso vai se tornar você. E você vai se tornar essa coisa.
Eu não sei o que te dizer... o que foi feito está feito. Ele está morto e sua namorada cometeu suicídio [Monika morreu em 1996, na Alemanha, asfixiada na garagem de sua casa]
É bem estranho...

EB: Ah, é a verdadeira síntese da história do rock'n'roll. Se alguém quisesse procurar no mundo da música algo shakespeareano... seria fácil. Ele [Hendrix] era o verdadeiro. Mas agora está tudo trancado, caso encerrado, você não pode fazer nada, não pode dizer nada. Está tudo arquivado em Londres.

Você disse por aí que a nova biografia traz 'uma longa lista de contratos, relacionamentos, drogas e comportamentos ruins'. Poderia dar exemplos?

EB: Bom, quanto às drogas ruins, elas não estão mais por aqui... infelizmente! (risos) Nem as boas! (risos) Nós vivemos em uma sociedade totalmente cristalizada, careta e do 'quanto-custa-isso?' e eu a odeio. Mas não há nada que eu ande fazendo para mudar isso. Ou muito pouco que eu possa fazer... Quanto aos contratos ruins, eu acredito que tenha sobrevivido a eles. Eu ainda estou aí para fazer novos contratos, novos discos, e fazer meu caminho rumo a um novo público.

Só cabe a mim me manter espiritualmente afinado, bem fisicamente - até certo ponto, afinal, eu nunca fui saudável durante toda a minha vida. E isso explica minhas poucas visitas a lugares como o Brasil. Eu não posso ficar em ambientes úmidos. Ataca minha respiração. Por isso eu vivo no deserto, isso me possibilita ir a lugares que eu gosto de ir, como Nova Orleans, por exemplo. O que mais tem na lista?'

… relacionamentos e comportamentos ruins'.

EB: Bem, eu sobrevivi. Este é meu terceiro casamento e estou passando por isso agora. Na verdade, eu estou tendo que aprender - reaprender - como viver de novo com alguém do começo. Porque eu estava vivendo sozinho já havia 20 anos. Então, no meu tipo de relacionamento eu estou tendo de reaprender uma porção de coisas dia após dia, em como ter alguém com você sob o mesmo teto. E não é nada fácil se você esteve, você sabe, por aí afora vivendo feito um louco.Continua...
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Esqueletos no Armário, parte 2
When I Was Young:

Depois de quase 20 anos sem gravar, você lançou My Secret Life (2004). Por que tanto tempo longe dos estúdios?

Eric Burdon: Eu não entendia a tecnologia, eu não gostava da idéia de cantar para um computador... eu não gostava de CDs - eu ainda não gosto deles (risos) - e eu não tinha muito o que dizer. Você não pode ser bom o tempo todo, sabe?

Não tinha muito pra dizer?

EB: Bom, eu cheguei a um ponto na minha vida em que eu estava pensando em fazer camisetas com os dizeres: 'Agora é a hora para bons velhinhos calarem a porra da boca!'. Porque não há nada que se possa fazer sobre o jeito como o mundo vai. Mesmo que você tivesse o poder de um Leonardo da Vinci, no mundo de hoje, você não iria a lugar algum. Como um jornalista de TV disse em uma reportagem que eu vi uma noite dessas sobre a Al-Jazeera, a agência de notícias árabe. Ele disse para o repórter americano: 'todo mundo sabe que vocês têm as maiores armas do mundo, todo mundo sabe que vocês têm a supremacia do ar, todo mundo sabe que vocês mandam no planeta. Mas isso não significa que eu tenha que gostar de vocês também'. Então, o que um cara pode fazer? Eu não sei, eu não tenho respostas. Com exceção de estender meus laços de amizade e tentar fazer as pessoas se sentirem bem, entretê-las e fazer mais rock'n'roll.

A canção The Jazzman (do disco My Secret Life) fala dos hábitos destrutivos desses músicos. Estilo de vida que foi encampado depois pelos roqueiros. Tem algo de autobiográfica nela?

EB: Sim. Eu fui influenciado em minha maneira de escrever ou de me apresentar muito devido às lembranças de ter visto Chet Baker em Paris enfiando uma agulha no braço. Quando você é tão visado quanto esses grandes baluartes do jazz, quando na moda você é a tradução do moderno, querido por todos, jovens ou velhos, pretos ou brancos, qual o propósito de se enfiar uma agulha no braço? Eu ficava fascinado por isso. E, você sabe, havia muitos outros grandes jazzmen que estavam nessa dança destrutiva da heroína. E eu percebi que isso era pra aplacar a dor. Eles viviam uma dor que... é difícil para o público entender o que acontece quando você deixa o palco e vai para casa, para uma casa vazia. Ou vai pra casa pra alguém que te odeia enquanto todo mundo lá fora te ama. Então, pra quem você se vira? Pra onde você vai? Você só quer se dopar. E também, naquele tempo, a questão racial era ainda mais difícil. Como é que os negros - na estrada - iriam encontrar médicos capazes de cuidar de psicoses? Ou qualquer doença física? Era impossível levar um negro a um hospital em uma emergência. E quando alguém aparecia, receitava caríssimas pílulas pra dormir, que também não fariam bem nenhum, se você só precisava chegar na esquina e pagar cinco dólares por uma trouxinha de heroína.

E quando foi que você descobriu seu talento pra cantar?

EB: Eu acho que isso tem suas raízes no fato de eu ter sido expulso das aulas de música. Nós tínhamos aula de música na escola, em Newcastle, mas eu não tinha interesse algum. Era só algo que eu tinha que fazer, sabe? Era como 'ok, agora você vai para sala com o professor, ele toca o piano e passa os acordes pra você e entrega o folheto com a letra e você canta essa canção chata'. Só que um dia ele apareceu com aqueles spirituals dos negros americanos, que eu nunca tinha ouvido antes e nunca mais ouvi. Porque hoje é considerado totalmente racista, o conteúdo dessas canções seria considerado racista. No entanto, ao cantar essa canção em particular, eu descobri, de repente, que minha voz estava se sobressaindo a de todo mundo. O professor me jogou pra fora da sala por ser indisciplinado e barulhento. E foi aí que eu me dei conta de que queria subir num palco, pegar um microfone e ver o quão barulhento eu poderia ser. Então, eu comecei a zanzar pelos clubes de jazz locais e costumava puxar o paletó do trombonista de uma banda dizendo 'por favor, posso subir e cantar uma música?' e ele 'eu não sei, deixa eu checar com o cara que deveria liderar a banda'. E aí diziam 'o que você quer cantar?', como eu era aficionado por jazz e não apenas blues e folk, os caras adoravam. Eu sabia de cabeça os arranjos de todo o catálogo de Count Basie. Ele era o que eles amavam tocar... eu servi como um sapato velho.

Era confortável.

Que idade você tinha na época?

EB: Uns 17, 18 anos... E aí eu comecei a gravar com esses caras também. Eu fiz quatro sessões de gravação. Era gravado direto no disco, direto no acetato, então, você só podia tocar o disco umas 15, 20 vezes. Mesmo assim, era bastante excitante ouvir minha própria voz saindo da máquina pelo alto-falante. Depois disso, fui parar na escola de arte e esse foi o início do melhor tempo da minha vida. Eu podia fazer o que eu quisesse, quando eu quisesse, do jeito que eu quisesse. Foi um período de cinco anos de paraíso absoluto. Porque eu tinha longas férias de verão, durante as quais eu arranjava, nas três primeiras semanas, um emprego qualquer. Qualquer coisa desde ajudar numa construção a entregar carne pra um açougueiro, de tirar cerveja num pub a vender jornais. Isso colocava dinheiro no meu bolso e aí eu fugia pra Londres ou Paris. E foi lá que eu comprei meus primeiros discos americanos importados. Foi em Paris onde fui exposto pela primeira vez à América. Porque era perigosa, multirracial, era bonita, era assustadora, era erótica. Eu dancei com Brigitte Bardot numa festa! Eu lavava o chão por onde ela passava... quer dizer, eu estava no paraíso.Então, eu entrei para os Animals e tudo acabou. Nós ficávamos trancados dia e noite, sob proteção policial. Nos Estados Unidos, a garotada nos perseguia em todos os lugares. O único lugar que tínhamos pra escapar era para os bairros negros da cidade. E ter contato com a música que eu amava e conhecer pessoas incríveis como B.B. King, John Lee Hooker, Rufus Thomas, Carla Thomas. Entre as brechas das apresentações com os Animals eu fugia e fazia da minha vida algo que eu chamava de 'mais normal', o que outras pessoas chamariam de 'anormal', perigoso ou estranho, não importa... claro, foram momentos extraordinários. Eu admito. Houve momentos maravilhosos, mas eu sabia que não iria durar pra sempre. Eu estava literalmente casado com outras quatro pessoas. E a gente sabe que um casamento é o bastante, que dirá um com quatro ou cinco pessoas.E nós estávamos sendo ferrados por nosso empresário [o americano Mike Jeffrey, que depois seria empresário de Jimi Hendrix, teria desviado dinheiro de seus clientes para contas em paraísos fiscais. Ele supostamente teria ligações com a máfia] e eu estava sendo ferrado pelos membros da banda também. Então, acordei um dia e me dei conta que depois de anos me arrastando pela estrada até a exaustão, desabando, não havia nada, tinha tudo acabado. Era tudo uma grande mentira. E foi uma mentira que me acompanhou onde quer que eu estivesse dali por diante. Todo acordo que eu fizesse, toda gravadora com quem eu tratava, todo empresário que tentava me controlar jogou com meu passado. Todos eles me ferraram. Se você está na estrada, se você está em Hamburgo, e seu dinheiro vai parar numa conta bancária nas Bahamas, é fácil ver pro bolso de quem ele foi.Continua...
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Esqueletos no Armário, parte 3 !!!

We Gotta Get Out of this Place:







Como foi pra você, garoto ainda, excursionar em 1963 com Sonny Boy Williamson?

EB: Ele tinha fama de ser um cara durão, meio rude...Eric Burdon: Sonny Boy era um sujeito e tanto e, na verdade, era um cara muito afável. Ele era muito gentil, tipo cavalheiro, mesmo. Mas, infelizmente, era um alcoólatra e eu o vi beber até morrer em um espaço de dois anos. Sonny Boy era o típico negro americano urbano daquela época, com reputação de ser mal-educado ou grosso. Mas era apenas porque eles estavam sob cerco da sociedade e eles tinham de reagir. No caso de Sonny Boy era a bebida. Ele se achava no paraíso porque podia comprar na Inglaterra daquele tempo uma garrafa de Johnnie Walker Black Label por um preço que não existia em Chicago. E o empresário ficava feliz em supri-lo com mais e mais. Eu me lembro quando Howlin Wolf veio pra Inglaterra e arranjou uma baita discussão com a agência por eles estarem alimentando o vício de Sonny Boy.Você falou de escolas de arte, Lennon, Townshend, McCartney são alguns que também passaram por elas, e todos, como você, com talento pra desenho, pintura..não se vê isso em outras gerações de músicos.

EB: Eu acho que é porque eu tive as mesmas experiências que tiveram todos os caras que acabaram indo pro rock. Você chega à conclusão de que seriam as escolas de arte. Mas nós éramos uma grande farsa (risos). Você ia para a escola de arte porque queria ser um artista. Mas, na verdade, eles estavam apenas testando quem na classe poderia ser utilizado na indústria. Eles não nos davam nenhuma pista, nenhum encorajamento de como ser um artista... era o contrário! Era um truque pra pegar você e colocá-lo numa fábrica. Pra fazer ilustração técnica de uma companhia de relógios, entende? Quer dizer, você terminaria vestindo manequins numa vitrine ou expondo roupas e móveis... e não era isso o que eu queria. Então, quando o rock apareceu, com seus heróis rebeldes, principalmente quando os caras brancos vieram em turnê para a Inglaterra, Gene Vincent, Eddie Cochran, esses caras, era o que nós queríamos. Era o que eu queria ser, essa era a minha aposta, era a chance que eu queria.

Você gosta de quadrinhos? Seus desenhos lembram bastante HQs...EB: Quando eu estava na escola eu era o ‘traficante de gibis’ (risos)... O que eu costumava fazer? Eu comprava por menos de um penny ou conseguia de graça os gibis ingleses. E eu mesmo os coloria com giz de cera e os passava para frente como gibis americanos. E com a grana que eu conseguia com a venda deles eu comprava os originais americanos. Minha imaginação de criança viajava com aqueles heróis, especialmente os da Del Comics. E havia um da Segunda Guerra Mundial (risos) que pra mim era real... eu ainda me lembro de um deles, uma frase predileta era [ele muda a entonação de voz] “Sinta o aço frio, japa! – e ele penetra sua baioneta entre a terceira e quarta costelas”. Yeah!! (risos). É incrível ver o que os filmes se tornaram. Os gibis viraram filmes e os filmes viraram gibis.

Nos anos 1960, sua canção Sky Pilot foi um sucesso e era uma música anti-belicista. O que você pensa do governo Bush?

EB: Eu acho as organizações religiosas a maior praga do planeta. Eu fugi um pouco da sua pergunta (risos) porque é a única forma de respondê-la. Tem a ver com Sky Pilot. A razão de eu tê-la escrito foi porque eu vi um filme de um padre colocando água benta no napalm que seria jogado no Vietnã. Esse foi o motivo para eu escrever Sky Pilot. Me parece que estamos em uma... que retornamos às Cruzadas do século 11. Agora, eu não estou dizendo – porque eu falei que religiões são uma maldição sobre o planeta – , não sou daqueles que dizem ‘sumam com o Papa, se livrem de Buda, desapareçam com...’, cada qual no seu galho! Mas não saia por aí e acerte a cara de alguém. Eu acho que maus negócios criaram essa situação. Maus negócios amparados por força física. Então, você comete um erro nos negócios e, em vez de tentar arrumar tudo para um novo acordo, é mais fácil enviar o exército, enviar a força aérea e fazê-los sentar e ver do nosso jeito. Mas não há nada que possamos fazer ou dizer a respeito. Eu moro em uma vilarejo de funcionários militares. Eu vivo perto da maior base de marines do mundo. Todos os meus vizinhos... a maioria é militar. Eu sou solidário, entendo o ponto de vista deles, mas eu acho que é datado! A guerra está fora de moda. Nós temos que pensar em outra coisa. Nós já estivemos em guerra antes.Diferentemente do que houve na Guerra do Vietnã, artistas nos EUA que são contrários à Guerra do Iraque são boicotados.

Por que isso?EB: Há uma grande diferença entre aquela época e agora. Hoje, você tem um exército totalmente profissional, você assina um contrato com uma agência governamental. E quando você assina esse contrato você não pode interrompê-lo. E no Vietnã eram convocados por sorteio. Portanto, houve um movimento antiguerra, mas havia disposição dos próprios militares. Muita, aliás. E agora é totalmente diferente, não há a mesma estrutura. Então, só podemos ter esperanças de que o povo enxergue algo. Como músicos nosso poder foi diminuído porque as coisas mudaram. Mas eu acho que muitos estragos foram feitos pela própria música. Eu não acho que a agressividade e as atitudes autocentradas do rap, por exemplo, estão fazendo algum bem para qualquer um. É um mundo diferente. O mundo mudou e eu me sinto incapaz. Eu me apresentei em maio na Disneylândia, onde eles se recusaram a vender meu álbum My Secret Life porque acharam que havia opiniões estranhas ali. Mas eles queriam me contratar para três shows por noite durante o fim de semana do Memorial Day, ou seja, o Memorial Day Weekend! [feriado que acontece na última sexta-feira de maio nos EUA e que homenageia seus mortos e veteranos de guerra]. E eu estive no palco, em frente de crianças e tudo... então, eu fui alertado de que não podia dizer certas coisas, mas eu terminei dizendo no meu último show. Antes de deixar o palco eu disse ‘este é o Memorial Day. Eu espero que este seja o último, o último ano em que tenhamos que ter um Memorial Day’. Há liberdade de expressão, desde que você não diga muito. E isso foi apenas um ‘acorda, esse não é o jeito de fazer as coisas’. E o público aplaudiu e ficou de pé. Então, no meu mundo, ainda há um coração que pulsa, a batida ainda está lá, em algum lugar.


(Por Douglas Portari)Trechos ou mesmo a totalidade desse texto podem ser utilizados sem fins lucrativos. Mas cite a fonte, porra!

Imagens http://www.ericburdon.com/

Origem dos documentos:

http://calidiscopies.blogspot.com/search?q=eric+burdon

Olá velho muito boa, parabens Douglas e muito obrigado por nos presentear com esta publicação...muito produtiva e esclarecedora..e reflete muito bem a maneira de pensar de Eric Burdon ...na verdade estou tentando reunir arquivos jornalisticos recentes sobre Eric Burdon e este é muito mais que eu esperava, o cara se abriu mesmo para você, talvez já prevendo que talvez você tivesse dificuldade de publica-la como você gostaria que fosse, mas aqui na cantina amigo Douglas ela sai na Integra...parabens obrigado..a entrevista fala por si só...muito boa mesmo!!!Parabens...Beleza!

Beleza!!

2 comentários:

Douglas Portari disse...

Fico contente que tenha gostado da entrevista, Venâncio. Você também pode ler uma versão da mesma matéria, mas com pequenas diferenças, no meu portfólio: http://portariportfolio.blogspot.com/2007/11/no-meu-mundo-ainda-h-um-corao-que-pulsa.html
Pra você que curte rock, aqui também tem uma entrevista com o Pete Townshend, do Who.
Abraços

Venâncio Rock and Roll disse...

Olá Douglas..Beleza!!!..rsrs...owwww rapaz parabéns mesmo..por esta entrevista tirada da gaveta, ops esqueleto do armário...rsrsr...e justamente de um periodo de mudanças na vida de Eric..o cara fazia 20 anos que não gravava um trabalho com som tematico de ineditas, falando justamente sobre sua vida secreta, privada, lonje das multido~es de olofotes que lhe perseguiram a vida toda..e vc foi capaz com sua arte ..captar este momento de uma das maiores figuras do rock and roll mundial através dos tempos...obrigado em nome da Cantina do Rock!!! A gente se fala nas entrelinhas ...rsrsrsr !! Beleza Abraço!